08 maio 2018

Piercing

- Deixa eu lamber seu piercing aí, na amizade! - falou a garota jogando o rapaz na parede.

Se conheciam há um tempo, se falavam pouco então não tinham muita intimidade, mas ela sempre teve vontade de beijar um cara com piercing. O dele era estrategicamente posicionado na pele acima dos dentes, o que a fazia imaginar muitas coisas.

O rapaz engoliu em seco, com o coração acelerado e as pernas trêmulas. Ela avançou como uma pantera e pressionou seu corpo em cima do dele contra a parede. Agarrou os pulsos do menino e o deixou preso, uma das suas coxas penetrou entre as pernas dele, sentindo seu membro acordando.

Chegou de mansinha mais perto, sentiu o perfume atrás da orelha direita e foi passeando com o nariz pelo pescoço até a outra orelha, que recebeu uma mordida. Ele sentiu um calafrio, se estremeceu, mordeu os lábios. O nariz dela saiu detrás da orelha e sem desencostar da pele foi até a bochecha, depois até encontrar com o nariz dele - que sorria de olhos fechados. 

Com a ponta da língua lambeu a ponta do nariz dele e foi descendo até a boca, ele tentou mordê-la, porém ela não deixou. Lambeu o lábio superior dele, depois o inferior, sua língua passeou por toda a boca do rapaz num movimento circular, terminando aonde havia começado. Sua língua se encontrava entre os lábios dele, pedindo permissão para entrar. Ele riu e abriu a boca. Ela encostou nos dentes dele, depois subiu e roçou naquela argola de aço. Tinha medo de machuca-lo então brincava bem devagar, subindo e descendo com seu piercing e dançando de um lado para o outro. Seus corpos ficam mais próximos, depois de brincar com o piercing, chupa o lábio superior dele que responde mordendo o dela.

Ela abre os olhos, solta os pulsos dele e sorri dizendo "obrigada".

- Como obrigada? Você vai embora? Vai me deixar? - falou surpreso o rapaz.

- Sim, eu só queria lamber seu piercing, o resto foi de brinde.

30 abril 2018

Corrida

Era uma noite de outono, tempo seco, mas com vento gelado que me cortava as pernas, péssimo dia para se usar saia. Passava da meia noite quando cheguei ao ponto de ônibus, pelo que li na placa, havia perdido meu transporte há uns 10 minutos.

Meu celular era antigo, tinha pouca memória livre, tentei em vão baixar um aplicativo de táxi ou uber. Caminhei até ali perto, tinha um ponto de táxi que ficava em frente a estação de trem. Por ali ainda tinham algumas pessoas saindo do último trem, esperando carona - será que peço ajuda?

Um táxi parava devagar no ponto - minha esperança até acordou - quando eu andava até ele, uma moça abriu a porta e eu a boca, e antes de entrar me perguntou:

- Você quer dividir? Vou aqui perto.

Sem fechar a boca eu balancei a cabeça de forma positiva. Tudo aconteceu tão rápido que parecia cena de pegadinha. Sozinha a noite, sem carona e quando ela chega, desaparece.

A moça explicou ao motorista aonde ir, eu conhecia pouco e sabia que era perto de onde eu iria, então em 20 minutos eu estaria em casa.

Era uma situação um pouco constrangedora, ali no táxi com uma desconhecida, olhei para ela de canto de olho, e ela falou:

- É um pouco constrangedor mas é uma situação cômica, daria uma ótima história no futuro.

No rádio uma música pop dos anos 90 me transportava para o passado, cantarolei baixinho o refrão, enquanto ela cantou a todo pulmão. Eu ri e cantamos juntas. Nossos olhos se cruzaram e ali naquele segundo, me senti em paz, segura, como se eu já a conhecesse há tempos e todo aquele clichê que vem junto.

Apesar do caminho que íamos fazer era curto, encontramos uma obra no caminho que nos deixou parada por meia hora na avenida. O taxista foi gentil e parou o taxímetro. Nesse tempo pudemos conversar um pouco mais.

Ela colocou a mão na minha coxa, dava para sentir a diferença da temperatura entre nos duas, senti o calor da pele dela irradiando pela minha perna. Engoli seco, coração acelerou - o que era isso que eu sentia?

- Quer ir numa festa comigo? É no apartamento de um amigo, bebidas, comidinhas, música boa. Vamos aproveitar esta sexta-feira? - falou ela sem tirar a mão de mim.

Eu não tinha o que perder, ia pra casa ver filme e dormir. Disse que só iria se rolasse música dos anos 90, ela riu e falou que ia providenciar.

No flashback da rádio agora tocava uma música lenta, para acalmar os ânimos - era o que eu inocentemente pensava. Depois de se aproximar de mim, ela sussurrou no meu ouvido:

- Essa música é boa para dormir abraçadinho, depois de ter transado muito. - falou subindo sua mão em direção da minha calcinha. Seus dedos passaram pela minha virilha e pousaram em cima do meu sexo. - Gosto assim quando está começando a ficar molhadinha.

Olhei para ela com minha respiração ofegante, não sabia o que dizer, aquilo estava muito bom, meus hormônios estavam batendo no teto, eu nunca tinha ficado com uma mulher, mas eu precisava experimentar aquela. Tudo estava nos conectando, a energia estava muito boa, a sexta estava chamando a gente para ficar juntas. Engoli em seco. Minha mão tocou a face dela, meus dedos roçaram seus lábios depois passearam até seu pescoço, nuca, a trouxe a mais perto de mim, até ficarmos a pouco centímetros.

Seus dedos me tocaram em cima da calcinha, me massagearam, círculos leves alterando com mais intensos, desceram aonde eu estava mais úmida e subiram, um movimento que ela repetiu algumas vezes. Mordi os lábios. Ela continuou me provocando, seus dedos voltaram para minha virilha, sentiram a renda da minha calcinha e foram tocando a minha pele até chegar nos meus pelos e no meu clitóris que gritava por ela. Gemi baixinho e me contorci, ela beijou meu pescoço e me deixava mais molhada. Eu segurava na porta querendo gritar, olhava para o espelho ver se o motorista estava de olho na cena, quando ele disse:

- Vou pegar um atalho para ir mais rápido.

- Gosto de mais rápido - falou ela acelerando o movimento.

O táxi parou no prédio dela que pagou com cartão e desceu; minhas pernas trêmulas quase me impossibilitaram de descer. Entramos pela portaria, ela pegou minha mão e me levou para um corredor escuro, passamos por aviso que dizia "playground fechado por motivos de obra", então me puxou e me colocou sentada num balanço de ferro. Tirou a blusa que usava e ajoelhou em cima de frente para mim, empurrou de leve o balanço e quando eu cheguei perto ela colocou a mão dentro da minha saia e tirou minha calcinha. Com uma vontade incrível, ela me abocanhou e sua língua passeou em mim. Seus dedos me tocaram de leve, depois penetraram em mim quando ela viu  que eu estava bem molhada. Sua língua fazia movimentos e tremores que nunca tinha sentido. Ela tirou a boca, a meia luz que estávamos, a vi lambendo os lábios e sorrindo. Com o dedo indicador e o médio enfiando forte e rápido dentro de mim, me segurava nas correntes do balanço. Sua língua grudou de novo no meu clitóris que já estava excitado, exposto, para fora, ela o chupava, e molhava bem. Passei minha perna pelo pescoço dela, que passou uma mão por trás e apertou minha bunda. Ela me estimulava de todos os jeitos. Senti um calor crescente vindo da minha buceta e me dominou inteira. Gozei e gemi alto em cima de um balanço infantil.

Ela sentou no gira-gira, agora era minha vez de fazê-la girar.

20 dezembro 2017

Voyeur

Era de noite, a rua estava deserta, desci correndo do ônibus, pois queria estar em casa mais rápido. Dobrei a esquina depois do ponto e cheguei na minha rua. Estava tudo apagado: prédios, casas, luminosos de comércios, tudo no escuro, sem luz. Coração acelerou, apertei o passo, ouvi alguém tossindo, me assustei. Porém vi que era na calçada oposta a minha, no primeiro andar do prédio em frente a minha casa. Da janela aberta do apartamento, só conseguia ver uma silhueta, vi um pedaço do seu corpo iluminado pelo o cigarro em sua mão. Quem era?

Fazia uns três meses que morava ali. Trabalhava de manhã, estudava a noite, não tive tempo de conhecer meus vizinhos. Entrei no meu sobrado em frente a cena, e tentei saber quem era o ser misterioso. Subi para o meu quarto e pela persiana tentei avistá-lo, porém já tinha ido. 

Na manhã seguinte ao sair de casa reparei novamente no apartamento, agora com a janela fechada. Cheguei, depois das 23 horas, antes de virar a esquina para minha rua, ouvi um pigarro, corri para ver se era a silhueta. Lá estava fumando no escuro, sentado no beiral da janela. Os dedos prendiam o vaga-lume de nicotina, a mão apoiada no joelho voava passeando pela coxa, peito e até chegar a boca que tragava e soltava a fumaça. Caminhei mais rápido, tranquei o portão de madeira de minha residência e corri para janela. No escuro do quarto observei pela persiana ele repetindo aquele gesto algumas vezes, do joelho até a boca até o vaga-lume se extinguir.

Fechei a persiana, fui dormir pensando na cena e no meu vizinho, estava feliz por ser sábado no dia seguinte e talvez ia poder acabar com esse mistério.

Acordei cedo, abri a janela - a dele estava fechada - fiz a cama, coloquei as roupas para lavar e nada de vê-lo. Almocei, lavei as louças, tomei banho e sai com minhas amigas. Voltei a noite, alegre e leve pelo vinho que bebi.

Subi para meu quarto e mesmo no escuro, fui tirar meu vestido, uma ação bem complicada de se fazer estando bêbada. As pernas bambearam, o zíper ficou preso nas costas e quase não passou pela cabeça quando eu o tirei.

Depois da cena lamentável comecei a notar na lingerie nova de renda que usava, azul marinho. O efeito do vinho surgia ali também me fazendo ver desenhos que talvez não existissem. A renda era linda, com costuras, revelos e traços bem feitos, e eu a tateava como um deficiente visual lendo braile. Sentia o bojo sustentando meu seio embaixo e a renda contornando por cima, meus dedos tentavam decifrar aquele mapa de linhas, curvas e nós. Minha mão subiu até a alça onde os desenhos eram mais simples, porém desci novamente, meus dedos queriam saber sobre os desenhos do busto.

Minha curiosidade desceu até minha calcinha, a renda debaixo seria igual? O mapa desceria até ali?

Uma faixa lisa azul percorria minha cintura, a renda ficava mais embaixo, meu dedos sentiriam a renda, seguiram o caminho e acharam o tesouro do mapa. Mordi os lábios. Estava ainda de pé, em frente a cômoda que joguei o vestido, em frente a minha janela aberta...

Coração parou, pernas bambearam.. Subi com tanta pressa para me livrar do vestido que esqueci a janela aberta... Meu quarto estava a meia luz, iluminado pelo poste da rua, a mesma luz que invadia o quarto dele. Há quanto tempo será que ele me observava? Em uma das mãos segurava seu cigarro, na outra, seu membro quase ereto.

Era uma noite linda, quente, o vinho ainda me agitava e meu corpo pedia por algo.

Sorri e continuei. Virei de costas para ele e comecei a dançar devagar, subia e descia com uma das mãos apoiadas na cômoda; a outra mão, tirou o cabelo das minhas costas para que ele pudesse me ver mais. Agachei e lentamente subi só meu bumbum, minha lombar e cabeça subiram depois.

Coloquei minhas mãos atrás e abri o fecho do sutiã - nessa hora nem ligava mais se ele estava assistindo ou não, estava fazendo para mim, queria me satisfazer. Meus seios estavam livres, cobri com as mãos, virei meu rosto para ver se meu vizinho ainda me olhava, sorri meu sorriso mais safado e o vi lá, me observando e se tocando. Virei e fiquei brincando com meu vouyer, enquanto eu mostrava um seio, cobria o outro, até mostrar os dois.

Do outro lado não conseguia ver muita coisa dele, mas o pouco que via, percebi  ele rindo, já havia largado o cigarro queimando sozinho no cinzeiro e estava focado em mim. Acho que ele não me via tanto também, mas a imaginação falava mais alto.

Minhas mãos puxavam meus cabelos, percorriam meu pescoço e voltavam para meus seios que apontavam para ele, apertava meus mamilos que já estavam duros e eu mordia os lábios. Elas circularam mais meus seios, contornaram minha cintura e pousaram na minha barriga. No quadril, brincaram com o elástico da minha calcinha e foram puxando mais para baixo.

Fiquei de costas de novo, era bom ficar seduzindo, brincando de esconde e esconde, ri alto e pisquei pra ele, ou para mim mesma, estava conhecendo meus limites e me divertindo. 

Rebolei um pouco e fui tirando a calcinha, baixando centímetro a centímetro, até ficar completamente nua, peguei a peça azul recém tirada e joguei no beiral da minha janela. Minha mãos podiam percorrer todo meu corpo nu, o vento soprava leve e eu me sentia inteira. Elas desceram da minha barriga até a virilha, brincaram alí, depois pularam para os grandes lábios, meus dedos aprovavam aquela carne volumosa, macia, e meus dedos passearam entre as coxas até chegar mais atrás, na bunda. Eles voltaram percorrendo os outros lábios, desfrutaram da lubrificação dali e deslizaram no clitóris. Uma corrente elétrica irradiou daquele pequeno pedaço escondido em mim pelo meu corpo inteiro. Estava pronta.

Abri a última gaveta da cômoda, e apoiei um pé, estava aberta, livre, acesa.

Meus dedos estavam na carne macia dos lábios da minha boca e desceram para os outros lábios, senti meu clitóris crescer, ele apontava para mim, então, brinquei com ele. Fiz movimentos circulares de leve, devagar, aumentei a pressão, depois com dois dedos brinquei de "ir e vir" e ia alternando nesses dois movimentos, aumentando a pressão e parando às vezes.

Meu dedo se perdeu dentro de mim, e eu me encontrei com ele. Era daquilo que eu precisava de um tempo só para mim.

Ele deslizava facilmente para dentro, entrava e saia bem do jeito que gostava. Introduzi outro dedo e foi bem mais gostoso. Enquanto uma mão introduzia, a outra massageava o clitóris, aquela combinação de movimentos me deixou com calor, suada e elétrica. Os dedos entravam mais rápido mais forte, assim como a massagem, que ganhou força e pressão.

Abri os olhos e o vi se tocando, ele estava de olhos fechados, mordendo os lábios e se satisfazendo. Aquilo me inspirou, aumentei mais a pressão, a velocidade, meu coração acelerou, não conseguia parar em pé, minhas costas se curvavam para a frente, porém eu não parava, queria chegar até o final, eu tava quase la, foi quando ouvi:

- Gostosa! - ele gritou do outro lado da janela.

Era o estímulo final que precisava, gozei ao ouvir aquilo, gemi alto e minhas pernas quase tombaram para a frente, me segurei na janela, ali consegui vê-lo melhor. Vi os momentos finais do prazer dele. Ele estava sentado com a mão dentro da cueca, brincando com seu pênis para cima e para baixo, até se contorcer na cadeira e relaxar o braço.

Sai da janela, fui dormir. Era o efeito do vinho ou ouvi alguém me aplaudindo?

Acordei de ressaca, dor de cabeça, vi meu quarto bagunçado, vestido jogado, gaveta e janela aberta. Foi real, ou apenas um sonho? Fui até a janela e vi minha calcinha no beiral, corri para tirar. Ouvi aplausos e vi meu vizinho na sala dele me brindando com café. Sorri envergonhada e fechei a janela.

Confesso que abri a janela algumas outras vezes para tomar um ar, ou para desfilar minha lingerie nova.


29 novembro 2017

Offline


Num mundo conectado, online, multimídia, faz falta algo ao vivo, frente a frente, offline, mas com ótima conexão. Uma conexão além do 4G, conectar olho no olho, pele na pele, voz no ouvido.

Entre smartphones, tablets, design digital, user experience, a experiência que queremos é mais carnal, humana, sem uso de VR, em uma realidade aumentada no dia a dia.

Esquece a hastag, esse qr code desatualizado e esse emoji, quero seu perfil de verdade na minha frente; cancela esse storie e me conta essa história ao vivo.

Deixa os aplicativos desatualizados e atualiza nosso bate-papo, nosso sentimento.

E quem sabe @, a gente se diverte nesse boomerang até acabar a bateria.

06 novembro 2017

Café

- Algo mais? - disse ele.

Ela acordou quando o copo quente de  isopor tocou em sua mão, se assustou ao pegar o café.

- Não obrigada.

Sentou de frente a lanchonete observando esse que a servira. Abriu um sachê de açúcar e despejou seu conteúdo na bebida, pegou uma colherzinha e mexeu devagar.

Ele era fisicamente do tipo que sempre a atraia: alto, branquelo, magrelo e cabelo um pouco comprido. Usava um avental amarelo, daqueles que dá um nó atrás para amarrar e uma touca da mesma cor para prender os cabelos. Era simpático com seus clientes e trabalhava com muita agilidade e alegria; a cada detalhe, o café ficava cada vez mais gostoso.

Aproximou o copo da boca, fechou os olhos e sentiu aquele aroma a dominando. Aquele sabor meio adocicado, meio amargo encontrou com a sua língua, desceu deliciosamente morno pela garganta até chegar ao estômago. Sorriu sentindo aquele calor se expandindo pelo corpo inteiro.

Pensou em como seria tomar um café com ele, seria mais doce ou mais amargo? Quente ou frio? Forte ou fraco?

Há alguns anos ela teria sido mais ousada investiria nele, chamaria para um café, porém naquele momento ela estava em paz, curtindo um café sozinha; foi egoísta e ficou com aquele sabor só para ela.

São fases, tem dias que queremos dividir o café com alguém, tem dias que é bom tomar sozinho, o sabor ficar mais forte, mais delicioso.

O rapaz continua ali servindo bebidas, quem sabe numa próxima xícara ela não esteja em outra fase e o chame para beber com ela.

31 outubro 2017

Replay

É um déjà-vu, um replay, um looping. Parece a mesma melodia, mesmo acorde, mesma música. Mais uma vez estou boquiaberta em frente ao palco vendo um rapaz tocar - certeza que vida passada eu fui uma partitura só para sofrer na mão de um músico.

Preciso descrevê-lo? Magrelo, estiloso, cara de bom moço, em cima do palco se divertindo com o que fazia, combinação perfeita para me deixar com as pernas bambas.

Um olhar intenso, um sorriso de menino e uma coragem de gigante, queria admirá-lo o show inteiro. Mas como num déjà-vu, num replay, não falei com ele, só observei de longe e me inspirei para escrever esta declaração. Fiquei morrendo de vontade,, mas agora nem Buscopan vai me fazer melhor.

07 setembro 2017

Pedido

Ele era magro por inteiro, menos no volume da cueca branca que se destacava: era grande e grosso.

Se conheciam há uns anos de um aplicativo de relacionamento, e comemoravam essa amizade se encontrando uma vez por ano só pra transar. A cada encontro trocavam longos diálogos, experiências passadas e carícias.

Naquela noite ela usava um vestido curto verde, com meias e botas pretas, e uma calcinha vermelha. Ele sabendo do gosto dela, para enlouquecê-la, colocou uma camisa social preta e seu jeans rasgado. Se encontraram na casa dele. Na cozinha pegou o saca-rolhas e abriu um vinho, e o som da rolha abrindo a garrafa, abriu também memórias antigas dela:

- Esse som me lembra a última vez que estive aqui. Estava no seu quarto quando você abriu a garrafa e desde então esse som me enlouquece, pois lembro da nossa última noite.

Ele serviu o vinho em duas taças, pegou a garrafa e foi para o quarto, com ela seguindo atrás.

- Vem abrir meu vestido! - falou ela de pé ao lado da cama, enquanto colocava as mãos no colchão arqueando as costas e deixando o quadril mais alto.

Ele chegou por trás, encoxando a garota e abriu o botão do vestido. Uma das mãos a agarrou pelos cabelos e a outra foi em direção da calcinha. Empurrou ela de leve para a cama, deixando-a de quatro e grudou seu quadril no dela, que agora se movimentava devagar, sentindo com a bunda um volume crescendo na calça dele. Ele puxou a calcinha pro canto e tocava a garota com o polegar, massageando suas partes em movimentos circulares, para cima e para baixo. Sentiu que ela relaxava e quanto mais ele a tocava, mais molhada ela ficava.

Parou. Segurando os seios dela, a ergueu e tirou seu vestido. Peito grudava nas costas dela. Com os corpos colados, ela aproveitou para tocar no membro duro dele, invadiu aquele jeans com uma das mãos e sentiu aquela pele pulsante na cueca. Tirou o volume para fora e o colocou na boca, chupou deixando bem molhado. Sua língua passeava pelo corpo até a cabeça, sugou aquela região enquanto suas mãos brincavam com as bolas dele. Colocou de novo o pênis na boca, ele arrumou os cabelos dela para o lado e segurou sua cabeça controlando os movimentos de vem e vai que ela fazia. A saliva escorria pela boca.

Deixou ela de quatro novamente, era a vez dele salivar. Sua língua se encontrou com os grandes lábios dela, e foi passeando por ali. As mãos dele subiam pela coxa até o bumbum, e enquanto a língua estimulava o clitóris, seu dedo se aprofundava da vagina, que se abria para ele.

Sentiu ela ficando mais relaxada, mais molhada, com a respiração mais ofegante. Ela contraia os músculos até os dedos do pé. Sentia uma energia corrente por todo seu corpo.

Ela empurrou a cabeça dele que entendeu o comando, ficou de joelhos e penetrou nela, escorregando, deslizando pausadamente até ela morder os lábios. Começou devagar aquela movimentação de ir e vim, até aumentar o ritmo e a cabeceira da cama bater na parede e suas bolas baterem na bunda dela. Pele com pele. Uma fricção, um fogo acendido por um fosforo.

Ela agarrava o lençol e gemia, ele a agarrava pelo quadril e pelos cabelos. Ela sentia suas pernas tremendo. Ele deu um tapa na bunda dela de surpresa que a fez soltar um gemido alto, que o fez rir, só voltou a ficar sério quando ela olhou para trás e pediu para ele fazer mais forte.

Ela arqueou as costas, deitando a face no colchão e arrebitando mais o quadril para ele, que enquanto a comia, com força começou a tocá-la de leve, ela se contorcia, gemia e sorria.

O suor escorria na pele de ambos, de repente o quarto virou uma sauna. Ele tirou a camisa, pausou o movimento para tirar a calça. Ela sorria esperando ele na pose anterior, quando ele se ajoelhou para penetrá-la novamente, ela falou:

- Coloca atrás, mas devagar.

Ele ficou boquiaberto com a frase e aceitou o pedido fazendo do jeito que ela queria. Agora foi mais pausadamente do que antes, ela se contorcia mais e gemia com mais facilidade, aquilo o excitava mais, vê-la daquele jeito o deixou morrendo de vontades. Colocou até onde pode e foi fazendo aquele movimento lento, indo e voltando até chegar numa velocidade mais alta. Sentia ela mais molhada, como nunca havia sentido antes, seus dedos escorregavam e ela gemeu alto até não aguentar mais e gozar. Desmaiou na cama, deixando ele com mais tesão e gozando depois, deitando em cima dela.

Ela sentia o coração dele bater rápido nas costas dela. A respiração deles ia voltando ao normal. Ela olhou para o lado e disse:

- E a gente nem bebeu o vinho!

26 abril 2017

Respirei

São Paulo. Janeiro quase noite.Verão que me matava, mesmo sem o Sol qualquer um suava na rua. A mudança de temperatura pegou todos os meteorologistas desprevenidos, o calor aumentou mais do que eles tinham previsto.

Voltava para casa depois de hora extra no trabalho. O ônibus como sempre estava cheio de pessoas e de mau humor. Minha calça jeans a cada segundo colava mais na perna. Calor, tempo quente e seco. Janelas estavam abertas, porém não entrava vento. Suava. Sentia minha boca seca, engolia mas não vinha saliva, mão tremia, olhos pesavam, pressão caindo, sentia medo, visão ficando escura.

Era a curva do ônibus, ou senti meu corpo tombando? Caí no corredor, ou foi apenas sonho?

Senti meu corpo sendo elevado, dois braços me ergueram do chão e me levantaram. Acho que ouvi vozes. Senti a mudança de temperatura quando me levaram para fora do ônibus.

Respirei.

O mau estar foi embora tão rápido quanto a pessoa que me ajudou, sumiu.

Minhas mãos não tremiam mais, o soro que estava em minha veia me trouxe estabilidade e uma consciência cheia de dúvidas. O que aconteceu? Que lugar era este, um hospital? Quem me ajudou e me trouxe até aqui?

Quase duas horas depois, melhorei, estava menos assustada e com a pressão normal. A enfermeira me aconselhou a ir embora de táxi, uber, algo que eu fizesse menos esforço. Ganhei um atestado para não ir ao trabalho no dia seguinte, então poderia descansar e deixar esse episódio ruim para lá. Antes de partir perguntei a ela quem me levou para aquele hospital, ela respondeu: "um rapaz branco, magro e com barba" - ótimo, só batia com a descrição de dez caras que estavam no mesmo ônibus que eu.

Cheguei em casa sem ter trocado uma palavra com o motorista, minha mente estava longe. Larguei minhas coisas no sofá e fui tomar um banho quente. A água morna escorrendo pela minha nuca me relaxava, porém não conseguia tirar toda aquela cena da cabeça. Sai do chuveiro e me encarei no espelho. Achei um roxo no meu cotovelo e uns arranhados no nariz, fora minha cara abatida.

Respirei.

Conversei com umas amigas por telefone sobre o ocorrido, e para cada uma tentava montar esse quebra-cabeça, repassando os fatos na mente para preencher aquele buraco na linha do tempo e encontrar a peça que faltava. Nada. Nenhuma nova lembrança. Decidi fazer um chá para tentar dormir. Enquanto a água fervia, filosofava tirando o curativo do meu braço, que protegia onde o soro havia sido aplicado. Puxei com força aquilo da minha pele e a aquela pequena dor foi a última que senti por meses.

Dormi.

Três semanas se passaram. Já estava recuperada daquele evento e melhor preparada: alimentação e hidratação em dia. Saí do trabalho mais tarde, não ligava, pois, era apaixonada pelo horário de verão. O calor como montanha-russa tinha seus altos e baixos, e aquela noite estava uma delícia.

Vi meu ônibus chegando no ponto, corri para a fila para não perdê-lo e no impulso desastrado da minha corrida, pisei no pé de um rapaz. Antes que eu pudesse me desculpar, ele se virou sorrindo:

- É bom saber que você está bem, moça! - falou o rapaz magro e de barba na minha frente.

Minha boca ficou aberta por uns segundos, engoli seco e tentei raciocinar. Eu reconhecia aquela voz, já tinha ouvido antes. Aqueles olhos castanhos também não me eram estranhos, sentia uma paz olhando para ele. Minhas pernas ficaram bambas, coração acelerado e boca ficando seca: era ele! Subi no ônibus atrás do rapaz juntando as moedas e as palavras para perguntar sobre aquele dia. Sentei ao lado dele e falei:

- Desculpas pelo pé e obrigada por aquele dia...

- Não fiz mais do que minha obrigação. Você pisou no meu pé aquele dia também, depois ficou branca e desmaiou, não deu nem tempo de ficar bravo. - ele falou rindo

- Pisei no seu pé aquele dia? - perguntei assustada confirmando como sou desastrada

- Você sempre pisa no pé direito, tá na hora de pisar no outro para não ficar com ciúmes...

Suspirei

25 abril 2017

Banner

O dia que minha bunda virou um banner, eu estava de pé com as costas arqueadas para baixo e com os cotovelos apoiados na mesa.

Minha bunda era a única de pé numa sala de sentados atentos às minhas "condições glutaneas". Era um banner, um outdoor pendurado no meio das pessoas.

Reinei absoluta por uns minutos até me tocar que a preferência nacional não era o foco do momento.

Sentei encabulada guardando a obra de arte - já que é minha chamo do que quiser - dos olhos dos demais, que se quer notaram o quadro exposto.

Tem artista que é bicho ruim, egoísta e acha que sua bunda arte é o centro do universo.

20 abril 2017

Pirata

As palavras sumiam quando ela mais precisava, ficava muda.

A foto que ela observava no Facebook a fazia embarcar em histórias dentro daquele olhar profundo.

Ele tinha cabelo escuro como a noite e comprido, um pouco abaixo da orelha. Seu bigode e barba eram bagunçados, um pouco falho, o que deixava o rapaz com um ar misterioso e descolado. Para finalizar, um brinco na orelha: era um pirata completo.

O pirata era um palestrante de um curso de redação publicitária, algo que ela já tinha formação, mas ficou curiosa com quais conteúdos podia aprender com ele:

   - Como enfrentar a deriva criativa?
   - Oceano do desespero sem ideias
   - Como atracar em uma ideia
   - Como persuadir sua tripulação
   - Qual onda criativa devo seguir?
   - Como sobreviver ao mar da inspiração


No meio da fantasia que criara imaginou estar num navio pirata, sem tripulação, apenas com ele, cruzando os mares. Durante a viagem ela descobria cada ponto interessante do corpo dele de acordo com o mapa do tesouro que possuía.

Iniciaram um jogo de contação de histórias, onde quem contasse mentira e outro descobrisse, teria que beber. Depois da segunda garrafa de rum, ela se aproximava do baú de tesouro, chegava mais perto da boca dele a cada pérola que ele dizia, e a enfeitiçava.

A história não tinha papagaio, perna de pau, ou invasão, era um pirata moderno num barco chique.

Na proa da embarcação olhava para o horizonte azul aonde seu comandante te levava. A lua cheia no céu refletia no mar e o vento soprava forte e gelado nos seus cabelos. O percurso seria curto, pois era um intensivo de final de semana, porém ela aproveitou cada momento da sua aula para tirar dúvidas e aproveitar melhor aquele tesouro.

A imaginação acabou afundando no momento que ela viu as vagas do curso esgotadas. Seu pirata partiu levando seu tesouro e o coração dela.



Trupe Chá de Boldo - Pirata

"Você, invadiu meu rádio aparelho vagabundo
Em sintonia o dia inteiro na mesma estação
Bandida
Assaltou minha ilha tranquila
Expulsou os corsários da minha ilharga
Com navalhas e canhões
Libertou da prisão meu coração pirata
Me atirou à sorte incerta das correntes
À navegação que fez da minha tristeza
Um náufrago"


ouvir: Trupe Chá de Boldo - Pirata

02 abril 2017

Fumaça

Meu rosto está colado no teu peito pouco cabeludo, minha cabeça se movimenta de acordo com sua respiração, descendo e subindo. Escuto seu coração acelerado e percebo que está no mesmo ritmo que o meu.

Minha mão desliza pelo outro lado qual não estou apoiada. Do pescoço te aliso até o umbigo e brinco nesse percurso diversas vezes até decorar cada pedaço do seu abdômen.

Sinto nossas peles se tocando. Minha coxa cruza sua perna e te encaixa em mim, sua coxa quente suada gruda na minha fria. Nossos pés também se tocam de leve, se sentem.

Vejo a fumaça dançando pelo quarto a meia luz. Bem de perto reparo no movimento da sua boca durante o trago, na pressão que seus lábios fazem no cigarro, e como eles ficam menos tensos quando você expele esse ar fedido. Eu sempre odiei esse cheiro, mas quando você o solta não me importo; a gente até brinca de descobrir desenho no ar.

A fumaça dança livre e solta pelo quarto em cima da cama, como eu estava ontem a noite no seu colchão. Dançava para você me fotografar, filmar, gravar meus detalhes até me convencer a posar nua para você.

Arranquei meio sem jeito meu tênis e meia, fiz um charme tirando a calça e virando de costas para você ver o detalhe de renda da minha calcinha. A camiseta branca e o sutiã voaram na sua direção enquanto eu ficava nua no meio do teu quarto.

Baguncei toda sua mesa perfeitamente detalhadamente arrumada, jogando tudo no chão e sentando em cima. Estava nua na sua mesa e olhando para você. Coloquei as pernas cruzadas pra cima ao meu lado e inclinei o corpo quase deitando, ficando apoiada pelo cotovelo, e a com a mão na cabeça. Te sorri e disse para começar.

Você tirou da mochila seu caderno e estojo. Escolheu o melhor lápis e pegou a borracha. Aumentou a música que tocava no seu notebook, puxou a cadeira que estava ali perto e sentou na minha frente. Me observou, mediu cada centímetro do meu corpo - e esse olhar ainda me causa arrepios- e começou a me desenhar.

Você tensionava os lábios,mordia o inferior quando se concentrava; seu pé direito balançava de acordo com a música - te sentia inquieto, via seus ombros tensionados assim como o movimento do seu braço.

Quatro músicas já tinham sido nossa trilha sonora, fazia mais de vinte minutos que eu estava naquela pose. Meu braço já estava formigando, minha musculatura tremia, não aguentava mais. Por cima do caderno você me olhou e deu seu sorriso mais safado dizendo para esperar mais um pouco.

- Acabei! - você falou entusiasmado levantando da cadeira.

Desabei para trás deitando as costas na madeira fria. Meu braço e pescoço doíam. Estava dolorida, mas super curiosa. Queria ver o desenho. Você o trouxe até mim e eu fiquei boquiaberta, quase sem reação. Estava lindo, perfeito! Minhas marcas de expressão, meu sorriso torto, até a pintinha da minha barriga foram retratados com muita fidelidade.

Ao me lado você começou a massagear meu braço e ombro dolorido, enquanto eu ainda admirava o desenho. Os carinhos da sua mão se transformaram em beijos e fui beijada do pescoço até a ponta dos dedos. Tu pegou o desenho, colocou na cadeira e me ajudou a levantar, me conduziu até a cama e me deitou. Agora fazia massagens e dava beijos no outro braço. Posicionou seu corpo em cima do meu e nossas bocas se encontraram como seu lápis no papel, forte e cheio de movimentos. Suas mãos me tocavam como se estivesse fazendo rabiscos com os dedos, seus traços eram leves no começo, depois foram ficando mais fortes, saindo do rabisco para a arte final.

Nossa obra ficou espalhada pelo quarto; roupas, lençóis, cadernos e lápis estavam perdidos no meio da nossa bagunça criativa. A arte me consumia, fiquei sem ar com o coração acelerado e pernas tremulas. Te abracei, deitei no teu peito, você esticou o braço e acendeu um cigarro. Reparei na fumaça que subia. Fumaça essa que dançava livre e solta pelo seu quarto, igual a mim ontem a noite...




24 março 2017

Lição

Então depois de alguns anos voltei a estudar. Precisei me adaptar com as aulas, tarefas para fazer e trabalhos em grupo, sem contar o novo horário e a rotina diferente.

O centro universitário enorme: dois blocos de dois andares e diversas salas de aula, desde as convencionais até os laboratórios de informática e os ateliês de moda.

Estudo a noite e semana passada cheguei mais cedo; fiquei na pracinha perto do prédio um, ao lado do lago das carpas. Sentei em um dos bancos de madeira para admirar o ambiente e esperar minha aula. Já era outono e o vento gelado cortava a pele. Ouvia música no fone escrevia algo sobre a matéria que teria a seguir... E de repente meu fone ficou mudo, minha caneta sem tinta e o vento sem forças: você passou.

Como em um déjà-vu te vi novamente na minha frente e minha reação foi a mesma. Fui imediatamente atraída por sua pessoa, coração acelerou e senti minha face ficando vermelha.

Você passou com sua calça jeans clara, uma camisa azul xadrez e cabelos negros e longos presos em um coque. Como uma miragem você virou em um corredor e sumiu. Na loucura do impulso levantei como a mochila e as coisas na mão, mas sentei em seguida pensando: o que falaria se eu fosse atrás de você?

Lembro que faz umas três semanas que te vi pela primeira vez, no mesmo vagão que eu. Seu estilo cabeludo e magrelo me encantou, meu olhar logo pousou em ti. Ao seu lado havia uma moça, porém não sabia se era amiga, ou algo mais. Alucinada com sua presença, fingi tirar uma foto da linha do trem só para ter você como plano de fundo, e compartilhar com minha amiga que possui o mesmo gosto que eu. No exato momento da foto você olhou para mim, e hoje eu tenho seu retrato salvo comigo. Talvez seja por isso, que esses dias na universidade te reconheci: por conta da pintinha que você tem na bochecha perto do olho. Essa pintinha magnética que me faz querer te olhar mais e me atraí até você.

Na minha segunda semana na nova faculdade já tive minha primeira lição: precisamos estar preparada para as peças do destino e estar com a matéria na ponta da língua.

19 março 2017

Nego


Era a segunda vez que visitava aquela cidade, a primeira nem conta, pois era Carnaval e é tudo muito cheio, poluído, não dá para ver os detalhes, as cores e pessoas.

Na pracinha do centro, ouvi um grupo tocando percussão, ritmos típicos da região. Cheguei mais perto e vi que era uma oficina, uma aula para quem quisesse aprender a tocar algum instrumento, conhecer novos ritmos - algo que sempre quis.

Era aula de Maracatu e me deram um "abê" para tocar - aquela cabaça seca envolta por uma rede de contas. Sentia o peso do instrumento nas mãos, a temperatura, as contas passando pelos meus dedos, e o som que fazia a cada movimento que eu dava, era incrível.

As crianças e turistas que ali estavam, tocavam e se divertiam com a nossa banda improvisada. Eram sorrisos, gargalhadas e passos de danças. Era tudo muito leve, solto, sem preocupação, sem vergonha. Era contagiante! O calor da cidade vinha das pessoas também.

Alguns minutos depois chegaram uns três, quatro rapazes para tocar com a gente. Um deles ficou ao meu lado e me ensinou um jeito melhor de pegar no abê, para sair um som mais limpo.

Minha pele branca contrastava com a dele, um pouco mais escura. As tatuagens dele fizeram meus olhos analisarem ele como um raio-x, reparando nos detalhe. Era alto, magro, com uma carinha de mau caráter, estilo marginal - aquele estilo que a gente se atraí, mas fica com medo.

A aula durou mais ou menos uma hora e teria uma outra sessão no dia seguinte. Peguei o contato deles e decidi voltar depois para uma segunda dose.

Antes de sair, o rapaz com sotaque delicioso que estava meu lado, perguntou meu nome, de onde eu era, se já conhecia a cidade. Me apresentei e disse que conhecia bem pouco, e estava precisando de um guia para conhecer melhor. Ele se ofereceu para mostrar a cidade do ponto de vista dele, eu aceitei.

Subimos, descemos e viramos ladeiras do centro histórico de Olinda. Lá no alto dava para ver a praça, onde nos conhecemos, a igreja central, a cidade e o horizonte coberto de mar. Ficamos ali contemplando a paisagem, os detalhes. Vendo o sol se despedindo, sentindo uma paz me dominando.

A paisagem era linda. O sol ia embora, mas mesmo assim ele ainda queimava a pele e a alma, me aquecia e eu sentia um calor diferentes. Descemos a ladeira e ele me guiava pelos labirintos e ruas de casinhas coloridas, janelas baixas que davam quase para as ruas de paralelepípedos. Tropecei em um deles e ele me segurou para que não caísse. Aquele abraço durou um segundo para quem estava de fora, e uma eternidade para quem sentia sua pele tocada.

Ele segurou na minha mão depois do acidente, e foi mais fácil me guiar e ajudar - até que ele não era tão marginal assim. Me levou até um centro cultural que dava aula de dança e aprendi: coco maracatu, cavalo marinho - ele não saiu do meu lado e me dizia "faz assim nega", me ensinando o passo.

Dancei de tarde até à noite com ele. Depois da aula, sentamos na calçada e trocamos histórias, confissões e até algumas carícias. O sol já havia dado lugar a lua, mas o calor em mim, permanecia. A timidez deu lugar a um coração acelerado, a pele arrepiada, a troca de olhares mais profundos.

A lua brilhava no céu e eu sorria para ele. Ria quando ele cantava, falava que era perigoso por conta lua, que era para eu ter cuidado, em um misto de vampiro e lobisomem, beijou e mordeu meu pescoço.

Andamos até a praia. Meu guia me contava as travessuras que ele aprontou por cada ponto que passávamos. Sentamos na areia, perto do mar. Eu tinha ido poucas vezes para a praia a noite, ele disse que relaxava naquele momento, que se inspirava e meditava por ali.

Meu coração acelerado, acalmou. As ondas iam e vinham numa coreografia a parte. Eu parei, fechei os olhos e ouvia o barulho do mar. Ele pegou nas minhas mãos e imitava o movimento do abê de acordo com as ondas, era como se eu controlasse tudo aquilo - me senti tão poderosa, tão parte da natureza, algo que nunca tinha sentido antes.

Quase onze horas, meu celular tocou e eu como a Cinderela, precisei sair e voltar correndo para o hotel, resolver uns problemas. Precisava voltar imediatamente para São Paulo, então ele passou seu número e anotei no meu telefone. Deixei minha aula e ele para trás, mas prometi entrar em contato quando chegasse.

No meio da corrida e da confusão de arrumar as malas e sair correndo para aeroporto, perdi meu celular onde havia contato dele.

Procure por ele nas redes sociais, mas só com apelido que eu tinha era difícil. Busquei na oficina de música, de dança e nada.

Terminei meu relato, meu pedido de ajuda. Publiquei no Facebook na esperança que um dia ele pudesse ler.

Eu espero não tenho pressa, ele me ensinou a ter calma. Só olhar o mar, as ondas me acalmam, me fazem lembrar dele.

Um dia nego, eu volto para Olinda para me perder nas ladeiras e nos seus braços.



15 fevereiro 2017

Moça

Verão, a estação que ele mais gostava. Férias, o período que tanto desejava.

Pegou seu carro sexta a noite e desceu até o litoral. Acostumou-se a fazer aquele caminho acompanhado da família desde que tinha 8 anos. Hoje estava só, os pais estavam cansados e não quiseram ir, então foi curtir suas férias, seus dias de descanso sozinho.

Eram umas 19h quando chegou na baixada. Descarregou o carro, viu se estava tudo bem na casa, pegou umas coisas e saiu para a praia. Colocou sua bermuda preta e cinza, uma camiseta, toalha, garrafa de água e amarrou sua prancha - companheira de anos, no carro e partiu.

O caminho da casa até o mar devia dar uns quinze minutos, mas se sentia um pré adolescente, a praia não chegava nunca e o coração acelerava a cada metro. Ansiava por aquilo, era praticamente um caiçara, a água salgada corria nas veias; precisava fazer aquele ritual de conexão com a natureza, mergulhar de cabeça para o ano começar de vez.

Mesmo a noite o calor ainda dominava. Na areia analisou o mar, via poucas pessoas por ali. Uns perdidos corriam no calçadão para ir embora, outros limpavam a areia da roupa e partiam, todos saindo, menos ela. Ela chegou caminhando hipnotizada pelo mar, pisava na areia como se flutuasse, mesmo parecendo ter o peso do mundo nas costas, andava devagar, focada no mar a sua frente. Sentou e afundou o corpo na areia fofa. Ele a observava enquanto passava parafina na prancha - será que algo aconteceu com ela?

Largou suas coisas ali num cantinho e correu em direção ao mar. Precisava ir com tudo, assim não sentiria se a água estivesse gelada, porém com um dia de calor como aquele, a temperatura estava uma delícia, morna. Depois de um mergulho, subiu de volta a superfície, respirou fundo e pensou: o trânsito até ali tinha valido a pena. Agarrou a prancha com um braço e com o outro começou a nadar até um local em que pudesse esperar uma onda. O mar estava bom, tinha apenas que esperar o momento perfeito. Sentou na prancha: era agora! Deu meia volta batendo os pés na água e nadou um pouco, esperou e conseguiu pegar sua primeira onda da temporada.

Pegou umas outras, perdeu algumas, levou um caldo, em resumo foi uma ótima noite para abrir o verão do surfista,

Agarrou sua companheira embaixo do braço e foi caminhando até a areia. Sentiu todos os milhares de grãos de areia grudando e machucando seu pé. Fincou a prancha num montinho de areia, tirou a camiseta encharcada e colocou na ponta da mesma. Pegou uma toalha e tirou o excesso de água do corpo e do cabelo. A moça havia olhado para ele algumas vezes, então puxo assunto:

- Vai entrar? - perguntou o rapaz se aproximando.

- Não! Deve estar gelada...

- Tá nada! Está quentinha, calmo e tem poucas pessoas.

- Eu não sei nadar... Nem no quente, nem no frio... Gosto de sentar na areia, observar as pessoas e o lugar.

- Você analisa as pessoas então?
- perguntou o rapaz desconfiado, lembrando dos olhares dela de antes.

- Gosto de olhar - respondeu a moça - Reparar nos detalhes, na postura, no gestos, na paisagem, em tudo. É a primeira vez que venho nesta praia, então quero guardar tudo.

- Então vem comigo que vou te levar num lugar para você curtir mais a paisagem
.
Ela era tímida, reservada, mas ainda sentia que algo a incomodava, por isso decidiu levá-la no seu canto preferido da praia, para que ela pudesse relaxar e observar a paisagem. Andaram pela areia branca e fofa, depois a beira mar, na areia mais dura. A garota usava uma regata branca com um biquíni rosa por baixo, um mini shorts de algum tecido preto maleável; estava com um mochila pequena e com as sandálias na mão. Ele andava ao lado com sua prancha e as outras coisas que trazia; ele reparava que ela perdia um pouco da conversa enquanto encarava a prancha - até pensou em deixá-la segurar um pouco.

Apesar da noite a lua cheia iluminava o caminho deles, as estrelas no céu anunciavam que no dia seguinte faria mais calor - essa foi a teoria que ele disse que o avô contava, sempre acreditava, sempre deu certo. O caminho de onde estavam na areia até o topo das pedras devia dar uns vinte minutos, que foi recheado por histórias dele e da família. Como no dia que ele resolveu ir só de bermuda para o mar sem nada por baixo, a onda veio e deixou a vergonha dele para fora e seus 12 anos nunca mais foram os mesmos, nunca esqueceu da cena, nem da bronca da mãe.

Chegaram nas pedras que dividiam as praias. Ofereceu ajuda a garota que aceitou - a mão dela estava gelada, seria normal, ou estava com medo dele? Foram subindo passo por passo, pedra por pedra, história por história. O sorriso dela surgia a toda aventura que o jovem contava, sentia-se cada vez mais segura quando dava a mão para ele ajudá-la.

- Cuidado que aqui é um pouco escorregadio, já até cai ali, e fiquei com cicatriz no joelho, mas eu te ajudo. Vem! - disse o rapaz estendendo a mão.

Sentaram na pedra mais alta e puderam ver todas as praias. Viam o horizonte azul do mar se mesclando com o negro da noite. Atrás deles, o calçadão com alguns ciclistas, prédios iluminados e quiosques fechados. E lá de cima um silêncio, uma paz, algo estranho que ele não conseguia entender, parecia que conhecia aquela moça há tempos.

Colocou a mão sobre o ombro dela que a fez pular de susto saindo do transe em que se encontrava. Ele riu e pediu desculpas, e nesse momento, os olhos castanhos dele se encontraram com os dela. A mão saiu do ombro e foi descendo até as costas causando um arrepio por onde passavam, vértebra por vértebra, centímetro por centímetro, até chegar na cintura, onde ele pousou a mão quente. Puxou a garota mais para perto e o sentimento pré adolescente voltou junto com coração acelerado.

Os lábios se encontraram como o mar raso em destino a areia, leve, tranquilo e não muito molhado. O beijo evoluía como as ondas, ia crescendo, ficando forte, envolvente até se tornar um oceano de profundidade e entrega. Ali não dava mais pé para eles nadarem.

O rapaz ficou de pé e ajudou a moça a fazer o mesmo. Desceram o morro pelo lado oposto do que vieram. Chegaram na outra praia deserta e escura. Permaneceram perto das pedras onde nem a luz da lua incomodava. Ele deitou a prancha no chão, tirou a camiseta que havia colocado depois de secar o corpo, e deitou em cima da mesma. Deu a mão para a moça e ajudou ela a deitar em cima da roupa dele.

Ele se ajoelhou ao lado e começou a fazer massagem na moça. Começou no rosto, tocando a pele com a ponta dos dedos, ela enlouqueceu quando ele passou os dedos em seu lábio lhe causando choque. As mãos desceram pelo pescoço, alisaram os ombros e caíram nos seios. O rapaz não tinha pressa, sabia o que fazia e ia devagar conquistando e dominando cada pedaço do corpo dela. Os dedos percorreram a barriga, dançaram no umbigo e fizeram festa no elástico do shorts; um engraçadinho se perdia e acabava encostando na parte debaixo do biquíni.

Ela ria de nervoso, de feliz, mas os dedos não pararam. Passaram a virilha, deslizaram na coxa, atravessaram o joelho, caminharam no final da perna até chegar nos pés. Eles receberam um tratamento especial e uma massagem mais relaxante, com toques delicados e até uns apertões um pouco mais forte.

Terminado o trabalho ali embaixo, ele resolveu subir de forma diferente e ao invés de tocá-la com a ponta dos dedos, foi beijando cada centímetro dela, daquele percurso que já conhecia.

Seus lábios caminharam pela perna, atravessaram o joelho, deslizaram felizes pela coxa e fizeram uma pausa estratégica na virilha que fez a moça se contorcer na prancha enquanto ele alternava os lábios com sua língua.

Língua essa que também brincou com o elástico do shorts embaixo do umbigo dela.

A barriga foi beijada, mordida e lambida, assim como os seios. Chegando no pescoço, o rapaz subiu seu corpo magro e cheiro de areia em cima da moça. Os lábios se encontraram novamente, as ondas ressurgiram, mas desta vez tinham espaço para nadar e ser livre.

Ela escorregou para fora da prancha, deitando na areia, o corpo em cima dela fez o mesmo. Os lábios não se desconectaram. As mãos da garota se engancharam no cabelo cacheado dele, depois se perderam em suas costas largas e lisas. Seus dedos deslizaram pela espinha até chegar no shorts preto e azul. Ela não resistiu e deu um belo apertão na bunda do garoto.

Não era só o beijo que continuava numa crescente, ela sentia outras coisas também.

As mãos dele coladas na cintura da moça foram subindo e levando a blusa branca dela junto. No segundo seguinte o nó do biquíni era desfeito e pele suada deles se grudaram mais.

Ela voltou a beslicar a bunda do rapaz e aproveitou para tirar a bermuda - ele não aprendia, tinha ido sem cueca de novo. Ela caiu na gargalhada ao lembrar da história dele, que comentou que desta vez não estava passando vergonha.

Ele beijou novamente os seios sem biquíni dá moça, agora nada mais o atrapalhava, desceu até a barriga para tirar o shorts dela. O biquíni? Ele não tirou, só empurrou para o lado.

Os corpos voltaram a se grudar, a se espalhar e num movimento quase coreografado se uniram, se conectaram. Ele se inspirava e se movimentava como as ondas e ia e vinha em cima do corpo dela, às vezes mais devagar, às vezes mais forte.
A luz da lua não os encontrava, a sombra da pedra os protegia. A brisa refrescava o casal que era embalado pelo som do mar.

A moça não estava mais gelada, estava quente e suada. Suas unhas arranhavam as costas dele, ela mordia os lábios e se deixava perder naquelas sensações. Sentia um oceano dentro de si, ondas de calor se espalharam pelo seu corpo começando no ventre. A cada movimento dele, as ondas aumentavam até dominar o corpo todo e ela não aguentar mais e se contorcer de prazer.

O sorriso satisfeito no rosto dele a encantou, ele estava feliz por fazê-la conhecer a fundo aquela praia e todo o resto.

O oceano dentro dele se agitou, as ondas aumentaram também, iam e vinham, quebravam forte na praia, até explodirem nas pedras e ele deitar satisfeito sob o corpo dela.

O casal permaneceu ali deitados, suados com areia colada no corpo e com um sorriso enorme no rosto. A ciência explica, lua cheia é sinal de maré alta e sentimentos incontroláveis.

07 fevereiro 2017

Surfista

Sábado a noite estava sentada na areia da praia do Guarujá. Lua cheia no céu iluminava a paisagem, o som do mar indo e vindo como ioiô completava o que via. Ela foi transportada para outro lugar. Era daquilo que precisava, de paz, para recarregar a energia. Sentia que pertencia ali. Sentia seu corpo afundando cada vez mais na areia enquanto relaxava.

Algumas pessoas ainda estavam na praia, umas andavam na areia, outras nadavam - depois do calor feito aquele dia, a água parecia estar bem quentinha. No meio do mar, viu um rapaz surfando - maluco.

Ele saiu da água segurando sua prancha e foi em direção a uma toalha e outras coisas que estavam ali perto. Usava uma bermuda azul com detalhes em cinza e uma camiseta preta que foi tirada ao chegar na areia. Era alto, magrelo, sarado e mais tarde perceberia que o cabelo molhado daria espaço para cachinhos.

Fincou a prancha de pé num montinho de areia, pegou uma toalha, se secou e sorriu para a moça que o observava.

- Vai entrar? - perguntou o rapaz se aproximando.

- Não! Deve estar gelada...

- Tá nada! Está quentinha, calmo e tem poucas pessoas.

- Eu não sei nadar... Nem no quente, nem no frio... Gosto de sentar na areia, observar as pessoas e o lugar.

- Você analisa as pessoas então? - perguntou o rapaz desconfiado.

- Gosto de olhar - respondeu a moça - Reparar nos detalhes, na postura, no gestos, na paisagem, em tudo. É a primeira vez que venho nesta praia, então quero guardar tudo.

- Então vem comigo que vou te levar num lugar para você curtir mais a paisagem.

Ela ficou um pouco desconfiada, mas topou mesmo assim. Precisava tirar mil coisas da cabeça, uma conversa seria bem vinda para se distrair. Ele parecia ser mais novo que ela, tinha cara de bom moço, às vezes nosso sexto sentido acerta. Foi com ele, mas com um pouco de receio.

 Andaram pela areia branca e fofa da praia. Caminharam a beira mar; ela já descalça segurando sua bolsa e sandália nas mãos. Ele andava ao lado com sua prancha. Ela nunca esteve perto de uma, sabia que era grande, mas não imaginava que era tanto, e às vezes perdia o que o rapaz falava de tanto observar a mesma.

Observava também as costas largas do surfista, seriam anos de natação? Seu trapézio era bem definido assim como seu peito, era sarado, algo natural, não estilo monstro de academia. Tinha os braços largos, como seria ganhar um abraço dele?

Depois de uns 20 minutos conversando, chegaram no limite da praia onde estavam, as pedras os separavam da praia vizinha. 

- Cuidado que é um pouco escorregadio, mas eu te ajudo. - disse o rapaz estendendo a mão.

Subiram com calma, devagar, passo por passo, pedra por pedra até chegarem no topo do morro. Lá do alto tinham a vista de toda a praia, do horizonte azul do mar calmo e do negro da noite. Atrás deles, o calçadão com alguns ciclistas, prédios iluminados e quiosques fechados.

Lá de cima o rapaz disse que subia ali desde os 8 anos, que o pai incentivava e a mãe surtava. A família tem casa por ali, todo ano descem para o litoral e tiram uma foto dele em cima das pedras, esse tipo de coisa para dar orgulho para avó, ver quanto o neto cresceu. Ela ria ouvindo as aventuras que ele contava sobre cada pedaço daquela praia, e cada novo causo, ela relaxava mais e confiava nele.

Era noite, ainda fazia calor, porém a brisa dava um refresco. Ela fechou os olhos respirou fundo e sentiu aquilo que precisava: paz. Permaneceu em silêncio por alguns segundos e só abriu os olhos, quando ouviu:

- Eu também analiso as pessoas, e percebi que era isso que você precisava desde o momento que sentou na areia, antes de pegar minha primeira onda. - falando isso ele colocou a mão no ombro dela e começou uma massagem.

As mãos quentes e fortes dele tiraram toda tensão que ela carregava nas costas. Como ele sabia?

- Você precisa mesmo de uma massagem, e completa. Está muito tensa... Vem comigo!

Desceram as pedras pelo outro lado, para a outra praia mais escura e deserta. Ele foi na frente, e ela apoiava no ombro dele enquanto descia. Ficaram ali no cantinho, próximo as pedras, escondidos até da luz do luar.

Ele colocou a prancha no chão e pediu que ela deitasse de bruços em cima da mesma.

Começou massageando a cabeça dela bem topo com a ponta dos dedos, foi descendo até a nuca tocando espinha com os polegares, enquanto os outros dedos circulavam o pescoço descendo um pouco até o colo. O nó do biquíni dela atrapalhava, mas ele desviava os dedos. Com a palma da mão apertava as omoplatas, as pontas dos dedos agora percorriam a espinha inteira descendo e subindo. Massageou as costas devagar, desceu até a cintura causando um arrepio de leve. As mãos próximas ao cóccix foram descendo, passando pela prancha, para perto de umbigo, ele pressionou a barriga e a levantou, a transportando para longe dali. 

Ele estava sentado ao lado da moça, cruzou uma perna por cima e ficou entre as pernas dela.

As mãos desceram pelo culote e apalparam a parte interna da coxa, adentraram por dentro do mini shorts que usava. O toque quente dele fez a pele da moça ferver.

Os dedos dele entraram por baixo do shorts, um por um foram entrando até chegar ao bumbum. Ele massageava e apertava, os polegares foram descendo o topo daquele morro e chegaram no lugar mais úmido do corpo dela.

Como uma onda do mar, sentiu dentro dela um calor indo e vindo. O calor era crescente, aumentava a cada segundo. Os dedos escorregaram mais para dentro e ela se contorceu de prazer, mordendo os lábios deitada na prancha. Agarrada a areia, ela pediu que ele fosse mais forte, mais rápido e com aquilo fez uma onda de calor estourar nas pedras e na prancha, que a fez escorregar no liso e deitar na areia.

- Relaxou? - perguntou o menino.

Ela se virou sorrindo, balançou a cabeça dizendo que sim.

05 janeiro 2017

Pousada

Havia chegado em São Paulo há poucas horas, saiu do aeroporto e se instalou numa pousada ali perto. Entrou no sobrado, era fim de ano e devia ter uns 2 ou 3 hóspedes dormindo ali, passou pela piscina vazia e quis se jogar, aproveitar o calor forte mesmo sendo umas 21h, passou pela cozinha e foi em direção aos quartos.

O quarto dela ficava no andar de cima, na região da escada tinha um mini jardim, com flores e outras plantas que davam um clima mais verde, cheiroso e refrescante na construção. Subiu a escada lentamente reparando nos detalhes das portas, na escada vazada e na decoração simples dentro de cada quarto. O final da escada dava de frente para um quarto, ela tinha que passar por ele para chegar no seu aposento. Olhou o espaço a meia luz, a janela estava aberta assim como a cortina para entrar um ar, visto que o ventilador ligado não dava conta do calor. Na cama de solteiro havia um rapaz deitado e pelado. Como num quadro ela reparou em todos os detalhes do ambiente: no tom de pele dele, nas tatuagens espalhadas pelo corpo, no peito, braços e perna, e reparou principalmente no membro ereto dele.

Se sentiu num filme erótico, uma voyeur, olhando ele pele fresta da cortina. Coração acelerou e sentiu uma onda quente percorrer seu corpo enquanto ficava excitada. A mochila pesada nas costas e a mala na mão ganharam mais peso com as pernas trêmulas.

Ele estava deitado, relaxado, parecia que não dormia, estava em paz. Era o que ela queria, aquela paz. Se aproximou devagar para vê-lo mais de perto, mas bateu a cabeça na janela fazendo um barulho acordando o rapaz.

Ficou sem ação, sentiu o rosto ficando vermelho e a boca sem palavras. Então sorrindo o rapaz disse:

- Você está vermelha, deve ser o calor. Entra que aqui está mais fresco.

Ela entrou tirando coragem de alguma das bagagens, jogou as mochilas no chão e o corpo na cama. Sentou próximo dele e foi tirando a sandália, ele a ajudou. Depois de desamarrar os calçados dela, acariciou o pé passando a mão pela panturrilha até chegar na parte interior coxa. Foi naquele momento que ela percebeu o porquê o ventilador não dava conta do calor.

Sentiu seu corpo aumentando a temperatura a cada centímetro que a mão dele avançava sobre sua calcinha. Enquanto isso enlaçou suas mãos sobre o pescoço dele e arranhava de leve suas costas. A mão dele devagar foi tirando aquela pequena peça de renda que atrapalhava na expansão do calor. Ela ajoelhou na cama se encaixando no quadril dele e ele encaixou o rosto entre os seios dela. Ela arrancou o vestido e o sutiã junto com a onda quente que percorria seu corpo. As mãos do rapaz pegaram com força suas coxas, passaram pelo bumbum, subiram pelas costas e puxaram seu cabelo, fazendo seu tronco ir para trás e seus seios indefesos para frente, ele aproveitou para mordê-los. Juntou seu peito com o dela fazendo os corpos se unirem e grudarem com o suor de ambos.

Ela passou a mão pelo cabelo dele, segurou seu rosto e o beijou, ele agarrou-lhe pela cintura e a levantou apoiando-a na parede gelada, ela gemeu baixinho quando sua pele quente encostou naquela textura fria.

- Vem comigo que eu sei de um jeito de acabar com esse calor...

Como um adolescente ele saiu correndo do quarto, desceu a escada pulando uns degraus até chegar no deck onde mergulhou na piscina. Ela foi correndo atrás dele, mas não se jogou, parou perto, coração acelerado. Ele a olhou de baixo pra cima e sorriu com malicias, então ela se jogou de cabeça na piscina e naquele mar de segundas intenções do sorriso dele.

21 dezembro 2016

Mochila

Voltava para casa depois de ter rodado a cidade. Estava cansada, mas já no ponto final para pegar o ônibus, por sorte consegui um lugar para sentar. Meu corpo quase se fundiu com o banco, sentia cada músculo do meu corpo latejar, minha cabeça doía.

Seguindo minha rotina, peguei meu fone,conectei no celular e coloquei qualquer música que me levasse para longe dali, que abafasse o som externo. Fechei os olhos por um segundo enquanto esperava o motorista dar a partida.

Abri meus olhos e vi todos os lugares ocupados e muita gente de pé no corredor. Perto de mim, de costas, havia um rapaz daquele estilo que me instiga: branquelo, magrelo, cabelos longos presos num coque. Vestia uma camisa social clara e pendurada no ombro uma mochila.

Imaginei meu cansaço e pensei no dele, quanto aquela mochila devia estar machucando os ombros dele, queria tirar aquele peso das costas.

Cutuquei o rapaz e perguntei se queria que eu segurasse aquilo, ele me olhou e disse que não. Até então não tinha visto seu rosto e me senti pré adolescente quando ele virou, senti meu rosto ficando corado, coração acelerado.

Ele conseguiu um lugar atrás de mim e eu não deixei de pensar no rosto dele.

Minha casa era muito próxima do ponto final, tinha que agir logo. Escrevi um bilhete dizendo que o achava 'lindo' e entreguei descendo do ônibus. E foi ali que eu tirei o peso das minhas costas, voltei leve pra casa, sem cansaço com a energia recarregada.

19 novembro 2016

Um cheiro

Acompanhava a banda que produzia em mais um show. O local era grande e tinha bastante público que dançava as brasilidades que o dj tocava. O show começava às 20h e no meio do povo ela dançava timidamente no seu canto enquanto tirava umas fotos.

Sentiu alguém a cutucar no ombro e virou, observou um rapaz alto, moreno, cabelo escuro estilo tigela e camiseta azul, perguntando sorrindo:

- Dança comigo?

- Não sei dançar e estou trabalhando...

- Você trabalha no evento?

- Não, para a banda!

- Tu trabalha para uma banda de forró e não sabe dançar?

Ela fez uma cara triste, ele riu e disse que a ensinaria. Segurou-a pela cintura e a pegou sua mão:

- O passo básico é quando eu for para trás com o pé direito, você avança com o esquerdo. A mesma coisa com o outro pé... Vamos tentar.

A primeira tentativa não deu certo por conta das pessoas dançando ou passando ao redor: levou duas cotoveladas e um pisão.

- Vai ser difícil, mas fique calma - disse ele sorrindo pacientemente

Na segunda vez foi um pouco melhor.

- Não fique tímida, se solte. Ninguém aprende rápido.

Incomodada com as pessoas a empurrando, pegou o rapaz pela camisa dizendo saber um lugar para dançar. Foi até os camarins, contra o mar humano que ia em direção ao palco, onde mostrou sua pulseira de acesso ao segurança que liberou sua entrada.

Fechou a porta da pequena sala onde entraram, afastou o sofá cinza e ficou pronta para dançar, aproveitando o som que tocava lá fora. O rapaz era simpático e estava adorando aquilo, ensinou o pouco que sabia. Ela às vezes até acertava um giro.

Em cada passo o corpo dela colava mais no dele, a cada giro o perfume que ele usava a embriagava mais e as mãos dele ficavam mais quentes a cada música. Enfeitiçada pelo ritmo nordestino, deu um cheiro no cangote dele e passou sua mão do ombro para a nuca e subiu até aqueles cabelos lisos. Essa coreografia ele sabia bem. Deu um cheiro nela também e desceu a mão que pousava nas costas até a cintura e a trouxe para mais perto.

O beijo foi uma dança que deu certo. As línguas pareciam coreografadas e bailavam num ritmo único. No meio do camarim, os corpos suados dançavam em paz sem ninguém pra perturbar.

Esse passo ela também sabia, mas aí ela gostava de ter a liderança, então empurrou o rapaz até o sofá e sentou no colo dele. As mãos quentes do rapaz invadiram a blusa e colaram nas costas dela, as da moça abriram rapidamente aos botões da camisa que ela amassava.

Tudo começou num xote, compasso devagar, sem pressa, se descobrindo, foi acelerando até chegar num arrasta pé de tirar o fôlego, a roupa e o sofá do lugar.

Na música seguinte ele liderava e estava com o corpo em cima do dela, sentia seu coração acelerado como um triângulo. Ele apertava o corpo da moça contra o sofá e ela se recordava da muvuca lá fora, do empurra empurra e nem ligou, pois o empurra que ela estava era bem melhor, então passou sua perna pela cintura dele e prendeu nas costas.

O rala coxa em cima do sofá estava mais quente que do evento. Os corpos dos dois se espalharam por todos os cantos do estofado. Ela ainda não aprendeu os passos do forró, mas nunca mais recusou um convite pra dançar.

14 novembro 2016

ANIVERSÁRIO


Era aniversário dele então mandou uma mensagem perguntando qual sabor ele preferia: morango com chocolate ou com chantili. Chocolate, ele respondeu.

Chegou mais cedo do trabalho e na porta do apartamento tinha um bilhete colado:

"Siga as pistas para ganhar seu presente".

Como uma criança, abriu seu maior sorriso e foi atrás dos outros bilhetes espalhados pelos cômodos. A trilha para ele seguir foi criada com suas moedas plásticas de poker e segunda dica estava na cozinha, na geladeira:

"Abre devagarinho do jeito que eu gosto e me pega ainda gelada"


Abriu a porta e viu várias cervejas da sua favorita na prateleira de cima, em uma delas estava colado:

"Adoro quando você encosta seus lábios em mim e me toma inteira".

A trilha seguia para mesa com o seguinte aviso:

"Vá para a mesa da sala".


Saindo da cozinha para a sala, ele largou a mochila no sofá, tirou a jaqueta jeans e a camisa cinza. Na mesa estava seu notebook com um post-it na tela:

"A playlist está pronta é só escolher qual música a festa começa, sentar no sofá e relaxar um pouco"


Ele ria entre um gole e outro, no sofá viu uma pista presa no controle remoto:

"Me toque! Aperte o play!"

O dvd reproduzia inúmeras fotos do casal, das viagens, bares, poses e tosquices. Ele admirava aquilo curtindo o som do notebook e sua cerveja. No final do vídeo apareceu a mensagem:

"Agora você pode ir pro quarto e pegar seu presente"

Abriu a porta devagar e viu algumas velas acesas decorando e iluminando o ambiente. Sua garota o esperava nua na cama. Na barriga havia a inicial do nome dele escrito com chocolate, havia morangos cobrindo os seios dela, sua parte íntima e um na boca dela - esse foi o primeiro que ele devorou com gosto, após ter tirado sua calça e cueca apressadamente.

Comeu os morangos dos seios e se deliciava com aquele sabor e suco que restava. Desceu até a barriga, lambeu o chocolate e comeu os morangos que sobraram mais para baixo. Estava em êxtase pela surpresa e por misturar o azedo da fruta com o doce do chocolate e com o calor do corpo dela.

Ele desceu um pouco mais com a língua nas partes dela mas foi impedido com ela puxando seus cabelos e dizendo:

- Se quiser tem mais chocolate - falou e apontou o pote no criado mudo.

- Deixa pra depois...

E como uma criança que ganha o presente mais esperado brincou e se lambuzou até o amanhecer.

12 novembro 2016

Cheguei ao ponto de te procurar em outros corpos, rostos e até penteados. Era você ali dançando com aquela moça?!

Meu coração e auto estima se despedaçaram ao ver aqueles corpos colados. Se entrelaçavam e às vezes se fundiam em um quando se beijavam.

A luz escura da balada e o cantinho que eu me encontrava conseguiriam disfarçar minha cara de dor.

Durante uma troca de música a luz mudou e o casal no meio da pista se separou, fazendo meu coração colar todos os pedaço de volta.

Não era você! Era minha miopia agindo contra mim. Então ainda tenho chances? Não de ter uma visão perfeita, mas de dançar contigo?

*PRESENTE*

Já tinha escolhido o que queria ganhar no Natal, nunca foi de pedir nada, mas este ano queria e merecia ganhar.

Há uns 3 anos que admirava aqueles olhos claros no mês de dezembro. Não o conhecia, era amigo de uma amiga e só o via no aniversário da mesma. Não falava com ele, pois era tímida e sempre ficava com o pé atrás, com receio, porém, desde a primeira vez que o viu, sentiu algo: os olhos dele contrastavam com a cara de de bravo - ela precisava conhecê-lo.

De repente, se deu conta que o ano estava acabando e que dezembro estava logo aí. Não ia e nem queria criar expectativas, mas estava na hora de pedir um presente.

09 novembro 2016

Remédio


Fui até a farmácia pegar um remédio para minha mãe e quase pedi um para mim.

Os olhos do atendente curaram minha dor mais rápido que um Dorflex, a voz era mais calmante que Maracugina mas o sorriso era um excelente energético, fiquei na dúvida entre o que escolher.

Com a receita na mão fiquei sem reação, quase comprei pastilhas para garganta querendo recuperar a voz e um aparelho para medir a pressão - para ver se era isso que tinha deixado minhas pernas bambas. Talvez comprasse algo para o coração que de um segundo para o outro ficou acelerado.

Não quis me automedicar, então peguei as coisas que realmente precisava e fui embora com certeza que alguns remédios te dão apenas cura momentânea.

07 novembro 2016

Segredo


Fez do parenteses letra
e de mim, ouvinte.

O digital virou real
na voz daquele rapaz
E meu ponto final
virou reticências.

Ele compunha como uma facilidade de quem respira
Queria escrever uma letra
que fosse digna para ele ler
Mas como escrever depois de você?

Queria poder ligar meu GPS
para saber sua localização
Procurar no histórico sua inspiração
Fechar a aba do desejo
e abrir uma janela da esperança

Pensei que as palavras eram minhas amigas, mas quando precisei delas, sumiram.

Foi aí quando descobri que elas eram suas amantes e que você as tratava melhor que eu.

19 outubro 2016

Trajeto

Se a gente dividiu o mesmo vagão, porque não podemos dividir a vida?

Saia de trás desse homem comendo fofura de cebola, expulsa o dorminhoco do meu lado e senta aqui.

Deixa eu saber o que você está ouvindo, me diz o porquê fez essa tatuagem no antebraço e me conta quem te deu essa pulseira.

A vida é esse trajeto de idas e vindas e em cada estação uma surpresa. Então aproveite, pois a próxima pode ser a final.

18 outubro 2016


Você me parece tão distante, intocável tanto em cima quanto fora no palco, não saberia como me aproximar, de longe te admirava e sentia seu ritmo dominando cada parte de mim. Começou me aquecendo e acelerando por dentro, um calor que foi se propagando pela minha pele até as extremidades do meu corpo, em menos de um minuto eu já estava dançando no seu tempo.

Tive vontade de abrir o resto da sua camisa e colar seu corpo suado no meu, te levar para aquele túnel escuro perto do palco e torcer para que você me jogasse na parede e me surpreendesse com um beijo no pescoço enquanto te agarrava pelos cabelos. Nossos corpos se entrelaçavam naquele suingue latino, minha cintura dançava ao encontro da sua e grudavam iguais ímãs. Sentiria seus dedos me percorrendo, me dedilhando como o teclado que você tocava antes.

As pessoas dançavam ao meu lado na pista e eu parada te observando, me imaginava pós show, após todo mundo ter saído, subindo no palco, sentando no teu colo, entrelaçando minhas pernas em você, ficando entre teu corpo e o teclado. Continua! Toca de novo. Toca aquela música que você sabe que gosto.

Alguém pisou no meu pé e acordei da ilusão que me encontrava. O calor da pista e a certeza de que estava com pensamentos errados me fizeram sair. Fui embora antes que o show terminasse, pois assim sempre teria a desculpa de voltar para o bis, pedir mais uma.

02 outubro 2016

Olha pra mim

Era a primeira vez que assistia ao show daquela banda que há anos ouvia. Só conhecia as vozes, não sabia como eram os rostos deles, não sabia o nome de nenhum integrante - devia ser preguiça de pesquisar - mas sabia de cor todas as músicas dos dois cds.

Iria ter um mini festival de três bandas: uma que nunca ouviu falar, que seria a primeira a tocar; uma que ela idolatrava e conhecia bem os integrantes e a essa outra que ela curtia muito, mas não era tão íntima - foi nesse show 90% só por causa deles, precisava vê-los de perto, sentir essa energia ao vivo e conhecê-los.

O primeiro show era de um grupo que tocava músicas de faroeste vestidos a caráter, era bem ok, nada de super, porém faltava algo. O instrumental era incrível, entretanto ela sentia falta de letra nas músicas - como uma boa redatora gostava de escrever, de ler e conhecer a pessoa por aquilo que ela compõe. Por isso nem focou sua energia neles, queria a segunda banda.

Eles subiram no palco e como num jogo de vídeo game, a barrinha de energia dela se completou na hora. Se arrepiou, cantou, gritou, ficou sem voz, dançou, requebrou, tudo que tinha direito naquele show.

A banda era ótima, instrumental maravilhoso, letras deliciosas, presença de palco marcante, mas o foco dela se perdeu um pouco naquele momento. Na voz poética, naqueles olhos de galã de filme estrangeiro, naquele cabelo despenteado, já falou na  voz sensual? O foco era o contrabaixista, ficou besta ao vê-lo na frente dela. Não sabia que era um dos vocalistas principais e aquela música que ela delirava ouvindo no celular,  era ele que cantava.

Queria correr atrás dele no camarim, ver se os dedos dele eram bons fora do contrabaixo. Queria puxar aquele cabelo pra perto e fazer ele cantar no ouvido dela. Queria estourar os botões da camisa que o música usava e compor uma melodia no corpo dele. Queria ver ele ainda tinha energia depois do show.

Ele cantava:

"Ah olha pra mim quando esbarrar por aí
Faça alguma coisa só não me ignore assim
Cansei de ser só um, mais um em mil"

Saindo do devaneio que se encontrava voltou para casa leve, cheia de energia e vontades. 

Hoje ela sorri com malícias quando ouve a voz dele e pensa: e se eu te encontrar por aí posso te falar das minhas vontades com a mesma facilidade que você toca? Se eu te falar quem sou vai me ignorar ou esbarrar em mim?

Foco

- Fecha nela, pois este ângulo está melhor - falou a produtora do curta metragem.

O câmera/diretor olhou torto, engoliu em seco. Se incomodava quando opinavam em cima da sua criação.

- Você gosta de mandar? - perguntou ele meio bravo/irônico.

- Só no trabalho, entre quatro paredes eu prefiro obedecer.

Ele ficou boquiaberto e sem reação. Ela sorriu e partiu, voltou a trabalhar, precisava resolver outras coisas importantes do evento.

Se conheciam há tempos mas nunca trabalharam juntos. Ele era mais novo que ela, usava dreads no cabelo, algo que ela não era fã e devia ter mais de 100 contatos no celular para uma pegada fácil.

O sábado havia sido longo, acordou cedo, ajudou mil equipes, fez inúmeras coisas. Estava esgotada física e acabada mentalmente.

- Precisamos gravar o pessoal da técnica no camarim menor. A luz lá é boa? - ela falou.

- A gente se vira naquele lugar pequeno...


- Meu sonho sempre foi pegar alguém lá... Adoro lugares apertados.

- Você não pode dizer uma coisa dessas para mim enquanto eu trabalho... Eu fico desestruturado... Perdi o foco...

- Desculpa, foi só um comentário aleatório...


Gravaram o depoimento da pessoa que faltava e decidiram, checar o material que tinham e ver se faltava alguém. Ele fechou a porta do camarim para não atrapalhar a checagem do som da câmera. Sentaram em frente ao espelho e colocaram o equipamento na mesa.

Viram uns depoimentos enquanto ela fazia umas anotações e ouvia o que o dizia o pessoal:

- Você acha que a gente tem que gravar este aqui novamente? O Sol na cara dela ficou ruim... Hey! Está me ouvindo?

- Eu parei de prestar atenção no que me dizia no momento em que você falou sobre seus desejos neste lugar....


Sentada ela empurrou com o pé o apoio da cadeira dele para trás fazendo com que ele se afastasse da mesa.

- Então é minha chance... -
falou a moça sentando no colo do rapaz.


As mãos dele percorreram as coxas e terminaram apertando a bunda. Os lábios dele eram mordidos por ela depois das línguas terem se encontrado.

- E qual é seu desejo? Seu fetiche?

- Sempre quis gravar eu com alguém.

- Então a gente pode realizar dois sonhos de uma vez -
falou a moça virando a câmera para eles e apertando o botão para gravar.


Lentamente foi desabotoando a camisa preta que usava deixando as costas nuas para a gravação.

27 setembro 2016

Vale night

Era mais um show da sua banda favorita, desta vez iria ser num barzinho na Faria Lima.

Adorava aquele trio. Curtia o baixista, amava o vocalista, mas tinha tesão pelo baterista - era quem ela estava ansiosa para ver novamente, principalmente se estivesse com o macacão laranja do figurino; já até o imaginava segurando na baqueta. Mas ele melhor não pensar nele segurando coisa algo, era muito cedo para aquilo.

Porém, antes do show começar, na entrada ela ganhou um 'vale drink' da recepcionista do local e foi na hora que ela viu o rapaz que servia as bebidas que ela decidiu beber e até esqueceu do baterista. Não era fã de bebidas alcoólicas, muito menos daquilo que ele ia misturar no copo com gelo, mas aceitou só para chegar perto dele.

Era o tipo físico que ela sempre admirava na rua: alto, magrelo, cabelo compridos até o ombro, tatuagem e um sorriso no rosto - que a deixou de pernas bambas mais rápido que a bebida.

Perguntou qual bebida era, e ele repetiu três vezes e não era uma técnica para falar mais com ele, mesmo querendo isso, era pelo fato da bebida ter um nome estranho. Sorriu, pegou seu copo e seguiu sua amiga até uma mesa, mas com vontades de voltar lá para frente.

O bar era escuro, tinha uma decoração que mesclava o velho oeste com outras mil coisas. Na parede tinham quadros, posters de filmes, antigos, de shows, fotos, cabeça de animais e outras doideiras que se estendiam até o banheiro, que nesse estabelecimento, era misto - sim, homens e mulheres no mesmo local.

Enquanto o som ambiente tocava, aproveitou para comer com as amigas e tomar algo, pois o drink que recebera ficou no canto da mesa com o gelo boiando.

Da sua mesa viu o rapaz indo até o banheiro e teve uma ideia, esperou que saísse e entregou um bilhete com os dizeres "vale night". Ele entortou a cabeça para o lado e sem entender, perguntou o que era:

- Você me deu um "vale drink" para eu curtir a noite, eu te dou um 'vale' para você curtir a sua e não ficar só ali parado servindo drinks...

Ele sorriu maliciosamente, as pernas dela bambearam na mistura do sorriso com a bebida da mesa. Ele pegou na mão dela e a puxou para dentro de um banheiro desocupado, que era decorada com fotos de artistas com passagem pela polícia - aquela famosa foto com uma placa como nome e um número - e pensou qual crime iria cometer com ele no momento.

Ele a posicionou na parede e se aproximou para beijá-la. ela não resistiu e passou a mão pelos cabelos dele o trazendo para mais perto.

Diferente da bebida que esse moço servira, o beijo foi delicioso desde o primeiro gole. As mãos dele que invadiram a camisa dela estavam geladas pelo gelo que trabalhara antes, as dela, pelo nervosismo.

O quadril deles se atraíram como imãs. A garota o agarrava pelo pescoço e o puxava pelos cabelos, e ele apertavam as coxas e a bunda dela.

O som do bar. uma balada rock'n'roll dos anos 90 era interrompido pelas batidas na porta, mas o casal não se importava, muito menos agora quando ele estava sem camiseta e ela com o sutiã aberto.

Os lábios dele percorriam um caminho que ia da boca dela até o umbigo, passando carinhosamente pelo pescoço, seios e barriga. Ela o puxou pelo cabelo de volta para cima e desta vez as bocas que foram atraídas como imãs. A mão dele então percorreu outro caminho, para dentro da calça da moça ela percebeu que seus dedos não estavam mais gelados, estavam quentes como o resto do seu corpo.

Ele não era só bom mexendo os drinks, ele sabia como mexer os dedos, sabia usar a mão - sabia bem! Era ágil e sabia do gosto da cliente e depois de umas misturas e rodopios, o coquetel dela ficou pronto.

Ela se curvou de prazer sobre os ombros dele e gemia no seu ouvindo, deixando o rapaz mais empolgado. Ela então quis retribuir o feito e começou a mexer no drink dentro da calça dele. Queria uma batida forte, que ele lembrasse, então bateu devagar, com jeito, no ritmo da música que tocava, de uma maneira que ele parecia gostar, e gostou. Gozou na privada e ficou em silêncio curtindo o prazer que aquela mistura lhe oferecia.

Ficaram ali na cabine em silêncio por uns bons momentos em paz, aproveitando a pele quente e o coração acelerado.

Lá fora o público vibrava, a banda que ela foi ver tinha subido no palco. Colocou a camisa, ia arrumando a saia para sair dali, mas foi impedida. Ele trancou a porta e foi com seu corpo acima do dela.

Desta vez a música e o beijo eram diferentes, a timidez e nervosismo ficaram de lado. Ele abriu a blusa dela com força e estorou todos os botões e ela mesmo arrancou o sutiã.

Tirou a camiseta dele com a mesma vontade que ele arrancara a dela. Precisava ver aquelas costas nuas, pois já tinha se apaixonado por elas quando entrou no bar. Tinha tesão naquele trapézio definido, suas mãos percorreram aquela área toda.

A primeira música mal tinha terminado e eles já estavam nus naquele cubículo com os corpos suados, entrelaçados e agora encaixados.

A segunda música era mais forte e rápida, a batida na bateria marcava o movimento do quadril dos dois. Era o dobro do desejo, da vontade, quando por um segundo ela pensou no baterista.

Agarrou com força o pescoço do rapaz puxando seus cabelos e com suas pernas deu um nó na cintura dele, enquanto ele a segurava por baixo, apoiando o corpo dele às vezes na parede.

Na terceira música ela empurrou o corpo dele e o fez sentar na privada, era algo mais devagar, canção de amor, dava para descansar um pouco.

Os lábios voltaram a se encontrar. As mãos percorrendo a pele quente do outro. E o quadril encaixado num movimento continuo e repetitivo.

Entre a quarta e a quinta música ambos gozaram e curtiram aquele momento.

Ela se levantou e se vestiu, disse que queria ver o resto do show. Antes de sair o rapaz entregou um vale para ela:

- Volta outro dia que te dou um drink melhor.

Foi o melhor show que ela assistiu.

tugostaque@gmail.com