03 fevereiro 2020

Gravata

A reunião após evento aconteceu na salinha de repouso da equipe. A produtora estava dando feedback particular para todo mundo que tinha trabalhado, um jeito de conhecer melhor os funcionários e descobrir o perfil de cada um para próximos jobs.

Todo mundo já tinha ido embora, faltava só conversar com um rapaz, alguém que ela já conhecia tempos, mas que nunca tinha falado a sós. A presença dele mexia com ela. O homem tinha 1,90, magro, todo tatuado, barba negra e comprida - descrevendo sua imagem ele podia ser figurante do time dos bad boys, porém era uma rapaz tímido, gentil e muito querido pelos seus colegas.

Ele entrou, trajava um paletó preto com uma gravata azul marinho - fazia freela de segurança às vezes - fora dali seria impossível vê-lo usando aquele figurino, ele era do tipo que usava calças largas e boné. Ela o conhecia mais por esse segundo figurino, vê-lo de social a tirava do sério.

Ele ficou de pé, próximo a porta, cruzou os braços e a cumprimentou. Ela estava de costas e quando virou sentiu seu rosto pegando fogo de vergonha, disse que ele podia sair do papel de segurança, de cara malvado.

- Fica a vontade! Está muito calor aqui, fica só de gravata... - comentou a moça atrapalhada.

- Como? - perguntou ele assustado.

- Desculpa! - disse a moça encabulada - Quis dizer que você pode tirar essa roupa social, essa postura de segurança…

Ele desabotoou o paletó, por baixo estava com uma camisa social branca de mangas compridas e começou a desfazer o nó da gravata…

- Mas tira a roupa depois… Você fica muito bonito de social, e é tão difícil te ver assim… De social.. Não bonito… Por que você é um cara bonito… Digo.. Ahh! Você entendeu, né? - assumiu a moça encarando aqueles olhos escuros.

Ele olhava para baixo sem graça e abriu um sorriso dizendo que tinha compreendido. Ela se virou de volta para a mesa e começou a procurar uns papéis. Se arrepiou da cabeça aos pés quando sentiu ele cheirando seu cangote e dizendo que agora estava mais a vontade. Ela se virou e viu o rapaz sem o paletó e a camisa, apenas a gravata pendurada.

- Você queria falar comigo? - perguntou o moço.

Ela, gaguejando, disse sim, que tinha que dar o feedback sobre o dia. Estava apoiada na mesa, suas curvas se salientaram no vestido roxo que usava. Ele se aproximou mais, ela apoiou os braços na mesa e suas pernas se entrelaçaram.

- Qual meu feedback? Quais meus pontos positivos? - perguntou ele novamente.

Ela o segurou pela cintura e ele a sentou na mesa e chegou mais para perto:

- Você é muito rápido, pró ativo.Tem um perfil de liderança! - comentou a moça

Ele abriu as pernas dela devagar e foi se encaixando entre elas suavemente, ela continuou:

- Pelo que estou percebendo agora - falou a moça passando suas mãos pelos braços dele - você tem uma base forte, sólida e sabe muito bem como receber ordens.

O rapaz abriu o cinto, baixou o zíper e desceu sua cueca.

- Você entende bem os olhares da sua equipe, dos seus superiores, e sabe muito bem o que eles querem. E entrega tudo sem demora.

Ele encaixou suas mãos embaixo da bunda da sua supervisora e a levantou, puxando sua calcinha até o joelho, deixando-a cair depois

- Você é excelente em resolver problemas e consegue muito bem controlar a situação.

Ele riu, a encarou e a beijou. Ela o segurou pelo pescoço, soltando um pouco o nó da gravata. Seus dedos subiram pelo pescoço, fizeram cócegas nas orelhas dele e agarraram seu cabelo. Enquanto isso ele passava as mãos nas coxas dela e foi subindo a saia do vestido, foi trazendo o corpo dela para mais perto e passando as pernas da moça por trás dele.

- Você é direto, incisivo, sabe como trabalhar em equipe.

Ele a penetrou bem devagar, ela fechou os olhos, mordeu os lábios e falou:

- Você trabalha bem sob pressão. Intenso.

Ele a abraçou, depois suas mãos fortes subiram até a nuca. Ela agarrou as costas dele, depois desceu para a bunda. Ela permaneceu em silêncio, gemendo baixinho enquanto ele a comia devagar.

Os papéis com relatórios, tabelas e contatos caíram no chão, a mesa tremia, chacoalhava enquanto eles ficavam no vai e vem. Ela o segurou pela gravata e deitou as costas na mesa, ele pegou uma das pernas dela e levantou um pouco, um ângulo em que ele podia ir mais fundo, ela mordeu os lábios e engoliu um gemido, ele sorria sabendo que ela estava curtindo.

Com o polegar ele massageava o clitóris dela, ela revirou os olhos, gemeu mais alto agarrando nas pontas da mesa:

- Gosto...muito... quando você dá atenção para os pequenos detalhes que muitas vezes são o principal do projeto. 

As mãos dele passeavam sob o vestido dela, subiram pela barriga até os seios, onde brincou um pouco, até chegar na boca dela. Ele contornava os lábios dela com um dedo que ela mordeu, lambeu, depois chupou.

A mesa começou a balançar mais, ele se segurou nas laterais e ele ia mais rápido, mais forte, não parava. Ela arranhava as costas dele:

- Você tem uma excelente disposição, está sempre pronto pra ajudar até o final.

Ele se debruçou sobre ela, beijando seu pescoço disse baixinho:

- Morro de tesão quando você me pergunta no rádio se estou na escuta. Sua voz acorda meu... corpo ...inteiro - falou o rapaz penetrando no ritmo das palavras.

Ele gemeu baixo e deitou sob ela que se contorceu inteira com a voz dele, se derreteu, sorriu e respirou fundo.

[ . . . ]

Depois de colocarem as roupas, arrumarem a mesa e os papéis, ela disse:

 - Mês que vem no evento da farmácia dou um feedback completo, este aqui foi parcial.
 - Entendido, TKS! - respondeu ele brincando com o rádio e devolvendo para ela.

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24 novembro 2019

Vizinho

Era produtora de eventos e teria que se hospedar por um mês no centro da cidade para ficar mais perto da locação. Morava longe dali, estava acostumada com seu bairro, suas lojinhas, seu ônibus e trajeto, porém adorou o fato de estar hospedada em um hotel. Cama nova, lençóis e toalhas limpas trocadas todos os dias, café da manhã, aquecedor e uma paz no seu andar - era vida que ela queria.

Trabalhava incansavelmente a semana inteira sem ter tempo de parar para nada. A produção demandava muito tempo e atenção dela, eram detalhes, planilhas números, pessoas e outras tantas informações. Na sexta porém, conseguiu sair mais cedo e por algum motivo resolveu fazer um caminho diferente até o seu apartamento.

Passou por uma rua cheia de comércios, loja de instrumentos musicais, bar, bijuterias, farmácia, anotou mentalmente esses lugares caso precisasse de algum desses itens. Ao dobrar a esquina encontrou um rosto conhecido: era colega-crush-peguete que conhecia há tempos. Ele a viu e sorriu, ela sorriu de volta. Se aproximaram, cumprimentaram e passaram por aquela formalidade de "oi tudo bem". Ela comentou que estava ali a trabalho e que achava o centro mais frio que o bairro dela.

- É por isso que saí de casa para comprar este vinho - ele falou.

- Nossa! Preciso levar uma garrafa dessa para o meu hotel!

- Hotel? - questionou o rapaz.

Ela explicou o trabalho dela e o porquê estava ali.

- Esqueci que você morava por aqui! respondeu a moça

- Moro a três quadras daqui. - o rapaz falou apontando a direção.

- Estamos bem perto então.

- Se quiser a gente pode dividir esta garrafa aqui! Se você deixar eu experimentar a banheira do seu hotel. - falou o rapaz rindo.

Caminharam pela rua onde estavam e andaram mais uns quarteirões, falando sobre passado, há quanto tempo se conheciam, coisas de trabalho até chegarem no hotel em que ela estava hospedada. Subiram até o sexto andar e entraram no quarto dela. Ela tirou os sapatos, acendeu umas luzes e abriu um pouco a porta da varanda para circular o ar, o vento gelado congelou seu rosto e a fez corar. Ligou a tv e foi pegar umas taças. Enquanto isso ele, com o controle remoto, trocou de canal e colocou em uma série de comédia.

- Acho melhor fechar a varanda, está frio! - disse a moça quase congelando

- Ok! Mas tome o vinho primeiro que você vai esquentando.

Ele levantou, fechou a porta da varanda e arrumou a cortina.

- Agora parece estar mais frio ainda... - reclamou a moça baixinho.

Quando se virou viu a moça sem a blusa, só com o sutiã azul claro de renda a mostra.

- Minha senhora, que que é isso... - o rapaz engoliu em seco e mal pode terminar a frase

Ele se aproximou dela se ajoelhando no colchão, enquanto isso ela colocava a taça no chão e as pernas na cama. Ficou em cima dela, segurou suas coxas, abriu suas pernas e deitou entre elas.

O calor e o peso do corpo dele a fizeram fechar os olhos - saudades. Pegou ele pelos cabelos e o trouxe para mais perto. Aproximou seus lábios dos dele e deu um beijo de leve, apenas lábios e toques, suaves e úmidos. A língua dele passeou pela boca dela que aceitou a brincadeira e a mordeu. O beijo foi ficando mais intenso assim como a respiração de ambos.

Seus quadris já estavam conectados, ela se sentia molhada e ele excitado.

O beijo do rapaz foi mudando a direção e desceu até o pescoço, depois colo e chegou ao sutiã azul. Ele apertava de leve os seios a sua frente, fazia graça nas rendas e deslizava na pele. Depois de admirar aqueles volumes, deu uma série de beijo em ambos. Sua língua invadiu por baixo do tecido e sentiu o gosto salgado da pele dela misturado com algum perfume doce, lambeu o mamilo, mordeu de leve e o chupou. Repetiu a mesma sequência com o outro seio. A mão dela apertava os cabelos dele - ele percebeu que estava indo no caminho certo.

Virou ela de costas, tirou o cabelo caído em sua orelha, lambeu seu contorno e mordeu seu lóbulo. Suas mãos passearam pelo pescoço dela e desceram até as costas no fecho do sutiã, tirando a peça bem devagar, aproveitou para deixa-la só de calcinha. Deitou sobre ela, seu pênis fazia uma pressão na bunda da moça. Sua mão esquerda puxou os cabelos dela, outra mão ficou entre o colchão e o peito da garota, sua mão foi descendo até chegar na vulva.

Sentia que derretia nos dedos dele quando a massageava devagar. Seu clitóris estava exposto, molhado e se divertindo com os toques. Gemia baixinho quando ele encontrava o ponto certo.

Deixou a moça deitada de bruços e se despiu, tirou sua camisa, calça e cueca. Voltou para a cama deitando ao lado dela. Seus dedos voltaram a brincar com a moça. A mão direita foi para baixo, enquanto os dedos médio e anelar circulavam o clitóris, o polegar pressionava a entrada da vagina até se sentir a vontade de entrar. Ele então começou a brincar com a mão esquerda, um dedo a penetrou de leve, entrava e saia enquanto a outra mão fazia movimentos rotatórios.

O dedo indicador ia e voltava, então o polegar entrou em ação e começou a estimular o orifício anal da moça que gemeu. Começou a alterar a dupla penetração, enquanto um dedo entrava na vagina, o outro saia da bunda. Ela levantou um pouco o quadril de tesão e agarrou os travesseiros. Ele ficou mais excitado com aquela bunda vindo em sua direção, continuou a toca-la, queria que ela curtisse e gozasse.

Puxou o quadril dela para cima e tronco, cabeça pra baixo. Seu pênis ereto deslizava na lubrificação e ficou se esfregando do lado de fora. Quando estava bem molhado, penetrou lentamente na vagina. Se curvou e encostou seu peito nas costas dela, seu pau entrava e saia de dentro da moça fazendo-a gemer e suspirar um pouco mais a cada penetração.

Ele levantou seu corpo e ela foi desgrudando do quadril dele devagar, ela controlava a situação agora e ia rebolando e se encaixando nele. Ela fazia movimentos sensuais e mais lentos, enquanto ele ia com força, rápido, mais fundo. Iam alternando entre rápido e lento, fraco e forte. Ela ainda de quatro, mais uma vez se desprendeu do corpo do rapaz, olhou para trás, sorriu e pegou o pênis dele, deixou molhado com sua lubrificação e foi colocando devagar atrás. O rapaz viu o que ela queria fazer e sorriu, a cena o deixou mais duro do que antes, gostava da atitude dela e do que iam fazer a seguir.

Penetrou lentamente, um milímetro por vez, e quando colocou tudo o que podia ela gemeu o que estava preso na garganta.

Já tinham feito essa posição outras vezes, sabia que era o jeito dela gozar mais rápido, depois da semana que teve, ela precisava daquilo, então segurou o máximo que podia para dar satisfação para ela.

Ela ia chegando devagar, deslizando, sentindo ele a preenchendo, e voltava. Estava sentindo seu corpo se reacostumando com o membro ereto dentro dela. Quando estava satisfeita, sem incômodos, olho para trás e sorriu para ele, que no mesmo instante percebeu a deixa e a puxou para trás pelos cabelos.

Metia com força, com gosto, com vontade, com saudade, como se há tempos não fazia aquilo. Ia e voltava numa velocidade e força que a fizeram quase cair da cama. Cada vez mais forte, e ela pedia mais, colocando um braço pra trás para que ele a prendesse.

Com a mão livre começou a se tocar, seu clitóris apesar de bem molhado, pegava fogo, ela gemia ritmada a cada metida. Penetração anal mais masturbação era algo que a deixava muito excitada e a levava ao auge, ao orgasmo extremo.

Ela soltou a mão presa e fincou na coxa dele - era a hora. Agarrou com força o quadril da moça e a comeu numa sequência ritmada. Seu pênis entrava e saia dela tantas vezes que o deixou sem ar.

As pernas dela tremiam, não aguentava mais, sentia um formigamento chegando junto com um calor quando ele falou:

- Goza pra mim!

Ela explodiu! Gemeu alto como um grito e molhou a cama com o gozo. O cara no meio disso, não segurando mais a penetrou mais um pouco e gozou junto.

As pernas bambas de ambos não os seguraram, tombaram no colchão exaustos e satisfeitos.

Ela suspirou ofegante e falou:

- Minha porta e minhas pernas estarão sempre abertas para você.

22 setembro 2019

UBER

Estava a caminho de um show em uma unidade do Sesc próxima ao centro da cidade. Apesar de ser perto da saída do metrô, não quis arriscar e pediu um Uber.

Pelo aplicativo viu a foto do motorista - que tinha o mesmo nome do ex - a placa do carro e onde ele estava. Percebeu que ele mudou de rota duas vezes antes de ir buscá-la, e já estava querendo cancelar a corrida quando ele chegou.

Abriu a porta do carro e sentou no banco do passageiro ao lado do motorista - uma mania dela. Deu boa tarde e se virou para perguntar se tudo bem ela sentar ali. O motorista sorriu e disse para ela ficar a vontade - gato não peça isso.

Desiludida com a vida profissional e pessoal, indo para um show afogar as mágoas e o motorista é aquele padrão que a deixa maluca: alto, magrelo, cabeludo e de coque - bem diferente da foto do perfil.

Era professor de educação física, deu aula de capoeira e morava por ali no centro. Mesmo sentindo seu rosto ficando vermelho, quando ele falava alguma coisa, ela fazia questão de olhar para ele, que tinha um jeito tímido e intelectual. Contou que morou na Austrália por um tempo e que voltou para o Brasil há pouco. Disse tinham ido e voltado. (Tinham? Você e quem? Você e seu cachorro? Amigo? Mulher? Perguntas que ficam apenas na cabeça para não ser acusada de assédio). 

Por que esse tipo de viagem é tão curta?

A gente nunca sabe qual vai ser o tipo de viagem quando embarcamos. Se vai ter mais alguém, se vai ter muita bagagem, muito trânsito, música ruim, direção perigosa; a gente só embarca e segue viagem.

Mas tem viagens que a gente quer repetir, dar mais uma volta, conhecer lugares não visitados, músicas não ouvidas, textos não discutidos.

Ela chegou ao Sesc com uma vontade de saber nome, endereço, estado civil do moço, mas fechou a porta e deixou ele seguir viagem, pois ela esta prestes a embarcar em uma outra.

23 dezembro 2018

Banheira


São Paulo, 21 horas de noite, 30 graus, o verão começou de vez.

Ele chegou em casa, pedi que fechasse os olhos e o fui guiando pela sala. Deixei ele de pé enquanto soprava seu pescoço um sopro gelado, soprei um pouco do peito que surgia na abertura da camisa. Abri mais alguns botões, depois desci minhas mãos pela cintura, passei pela coxa, joelho e cheguei até os pés. De joelhos a sua frente apoiei seu pé na minha coxa e desamarrei seu tênis e tirei sua meia devagar, depois tirei do outro pé.

Minha mão voltou a passear por suas pernas, como uma revista policial fui revistando cada centímetro de sua perna, até chegar no volume que crescia embaixo do zíper.

Abri os botões da sua camisa debaixo e fui subindo, abrindo os botões e soprando um ventinho gelado na sua pele suada. Fui levantando apertando meus seios sobre seu corpo, ao chegar no pescoço te dei um beijo e mordi sua orelha.

Você ainda estava de olhos fechados, peguei suas mãos e lentamente te puxava em direção ao banheiro, te parei na porta, erguei suas mãos e te fiz segurar no batente dela. Pressionei meu corpo no seu, abri o zíper da sua calça e a fui tirando devagar. Arranhei suas pernas enquanto subia para tirar sua cueca. Sua camisa caiu no chão pouco depois.

Seus olhos fechados não viam a decoração do banheiro, luzes apagadas e algumas velas acesas, ao fundo uma música inspirava o clima.

Te ajudei a sentar na banheira, coloquei uma toalha úmida sob seus olhos, te refrescando e deixando mais surpresas no ar.

Tirei o meu vestido, fiquei nua e me ajoelhei na sua frente, me encaixei entre suas pernas. Do armário segurei um vasilhame cheio de gelo. Peguei um e passei de leve na sua testa, passei pelas orelhas, nuca - te causando arrepios, boca e desci para seu peito. O gelo derretia no seu mamilo, te fazendo morder os lábios e segurar na banheira.

Peguei outro vasilhame, desta vez com morangos, mordi um e te dei na boca, o doce da fruta se misturava com o salgado do suor da sua pele.

Com outro gelo brinquei com sua barriga, desci pela virilha e congelei seu órgão ereto, você gemeu enquanto eu brincava com a cabeça dele. Segurei mais dois gelos para esfriar a sola dos seus pés, calcanhares, canelas, joelhos, coxas, virilha. Depois dos percursos os gelos caiam e derretiam no fundo da banheira.

Com você todo molhadinho e gelado, fui para a parte dois da missão de te deixar mais refresquinho.

O gelo deixou um caminho de água por todo o seu corpo, assoprei todos esses mini rios baixando a temperatura do seu corpo.

A parte três da missão era fazer você ficar quente de novo.

Te dei outro morango, misturando os nossos sabores, nossas línguas, nosso suor.

Começando pelo pé, fui te lambendo pedaço por pedaço por toda extensão que a água escorreu. Lambi seus pés, pernas, sequei seu joelho e cheguei na virilha. Sequei seu pinto com algumas lambidas, depois o coloquei inteiro na boca. Para garantir que ele ficasse bem seco, o chupei algumas vezes - mas ele só ficava mais molhado.

Beijei sua barriga, subi pro peito e te beijei na boca, permiti que você me tocasse e por vingança pegou um gelo escorrido e jogou em minhas costas.

Segurei seu membro e me posicionei em cima, fui me penetrando devagar, sentia sua pele ainda úmida e gelada por conta do gelo. Lentamente eu descia e subia, ao som da música ia dançando em cima de você. Você apertou minhas coxas e agarrou forte minha bunda enquanto eu aumentava a velocidade do movimento.

Seus dedos alcançariam um gelo e passaram pelas minhas pernas até encontrar meu clitóris, gemi alto, mordi os lábios, me arrepiei de endurecer os mamilos. Me curvei para frente e encostei peito no peito. Te beijei de novo sem deixar de brincar de sobe e desce.

Suas mãos puxaram meu cabelo para trás, você tirou a toalha do rosto, segurou as minhas costas e foi se levantando. Me deitou no chão gelado da banheira, abriu bem minhas pernas, uma ficou colada na parede e outra quase caindo da banheira. Sorriu seu sorriso mais safado e me penetrou devagar.

Enquanto eu fechava os olhos de prazer, você se aproximava de mim. Veio forte, rápido e intenso. Eu gemia alto, cravava minhas unhas nas tuas costas e curtia sua pele colada na minha.

Os gelos e as velas já haviam derretido, o calor predominava, nossas peles estavam quentes, suadas, coladas.

Você acelerou, me penetrava mais fundo, mais forte. Eu me tocava no mesmo ritmo, tentando te acompanhar.

Você contraiu todos os seus músculos, revirou os olhos e disse que ia gozar, seu anúncio me excita mais e me deixa num ponto de ebulição. Você tirou de dentro de mim e para minha surpresa, gozou na minha barriga e riu. Com os dedos livres me ajudou a me tocar, enquanto eu circulava pelo clitóris, você me penetrava com os dedos; gozei na terceira dedada.

Você deitou em mim e deixamos nossa respiração voltar ao normal. Alcancei um morango e te dei na boca, roubei outro pra mim.

Aproveitamos que estávamos na banheira e tomamos um banho gelado, para limpar a bagunça e agradecer o verão.

19 agosto 2018

Sonho

Sonhei com você esta noite - ou quis sonhar. Acordei com seu rosto, com seu sorriso e fiquei mais leve, mais em paz.

Me espreguicei e lembrei do seu sorriso meio tímido, um pouco safado - do jeito que eu gosto.

Saí da cama querendo me enrolar nos lençóis, fazer você se materializar embaixo das minhas coxas e sentir seu calor subindo pelo meu corpo.

Levantei, me apoiei na parede gelada, senti o frio nas minhas costas, queria você pressionando meu corpo, beijando meu pescoço, minhas pernas fraquejaram.

Saí segurando no batente da porta querendo, minhas unhas arranharam a madeira da porta, marcando minha agonia de não te ter aquela noite.

Entrei no banheiro, tirei a camisola e a calcinha, e tomei um banho... Devia ter sido gelado para apagar o fogo que sentia ao pensar em você.

11 junho 2018

Sereia

Queria ser essa sereia tatuada no teu antebraço, assim poderia nadar por todo seu corpo.

A noite subiria para dormir no aconchego do teu peito. De manhã nadaria até seu pescoço para ver os lugares por onde você iria, e te faria massagens ao longo do dia. Nas suas costas boiaria para te proteger; a tarde ficaria na preguiça acariciando sua barriga e no fim da noite te provocaria fazendo cócegas na tua virilha.

Passearia pelo teu corpo te conhecendo, te protegendo e te fazendo afagos. Entoaria meu canto para te inspirar, pentearia meus cabelos pra te fazer dormir e dançaria para te seduzir.

Quando você quisesse, voltaria para o teu braço para te dar forças e ficar quietinha, porém é só pedir que me materializo na sua frente para que você me capturasse com suas lentes.

Seu corpo será o oceano que vou para sempre mergulhar, te agradeço por me tatuar e me deixar atravessar suas águas

08 maio 2018

Piercing

- Deixa eu lamber seu piercing aí, na amizade! - falou a garota jogando o rapaz na parede.

Se conheciam há um tempo, se falavam pouco então não tinham muita intimidade, mas ela sempre teve vontade de beijar um cara com piercing. O dele era estrategicamente posicionado na pele acima dos dentes, o que a fazia imaginar muitas coisas.

O rapaz engoliu em seco, com o coração acelerado e as pernas trêmulas. Ela avançou como uma pantera e pressionou seu corpo em cima do dele contra a parede. Agarrou os pulsos do menino e o deixou preso, uma das suas coxas penetrou entre as pernas dele, sentindo seu membro acordando.

Chegou de mansinha mais perto, sentiu o perfume atrás da orelha direita e foi passeando com o nariz pelo pescoço até a outra orelha, que recebeu uma mordida. Ele sentiu um calafrio, se estremeceu, mordeu os lábios. O nariz dela saiu detrás da orelha e sem desencostar da pele foi até a bochecha, depois até encontrar com o nariz dele - que sorria de olhos fechados. 

Com a ponta da língua lambeu a ponta do nariz dele e foi descendo até a boca, ele tentou mordê-la, porém ela não deixou. Lambeu o lábio superior dele, depois o inferior, sua língua passeou por toda a boca do rapaz num movimento circular, terminando aonde havia começado. Sua língua se encontrava entre os lábios dele, pedindo permissão para entrar. Ele riu e abriu a boca. Ela encostou nos dentes dele, depois subiu e roçou naquela argola de aço. Tinha medo de machuca-lo então brincava bem devagar, subindo e descendo com seu piercing e dançando de um lado para o outro. Seus corpos ficam mais próximos, depois de brincar com o piercing, chupa o lábio superior dele que responde mordendo o dela.

Ela abre os olhos, solta os pulsos dele e sorri dizendo "obrigada".

- Como obrigada? Você vai embora? Vai me deixar? - falou surpreso o rapaz.

- Sim, eu só queria lamber seu piercing, o resto foi de brinde.

30 abril 2018

Corrida

Era uma noite de outono, tempo seco, mas com vento gelado que me cortava as pernas, péssimo dia para se usar saia. Passava da meia noite quando cheguei ao ponto de ônibus, pelo que li na placa, havia perdido meu transporte há uns 10 minutos.

Meu celular era antigo, tinha pouca memória livre, tentei em vão baixar um aplicativo de táxi ou uber. Caminhei até ali perto, tinha um ponto de táxi que ficava em frente a estação de trem. Por ali ainda tinham algumas pessoas saindo do último trem, esperando carona - será que peço ajuda?

Um táxi parava devagar no ponto - minha esperança até acordou - quando eu andava até ele, uma moça abriu a porta e eu a boca, e antes de entrar me perguntou:

- Você quer dividir? Vou aqui perto.

Sem fechar a boca eu balancei a cabeça de forma positiva. Tudo aconteceu tão rápido que parecia cena de pegadinha. Sozinha a noite, sem carona e quando ela chega, desaparece.

A moça explicou ao motorista aonde ir, eu conhecia pouco e sabia que era perto de onde eu iria, então em 20 minutos eu estaria em casa.

Era uma situação um pouco constrangedora, ali no táxi com uma desconhecida, olhei para ela de canto de olho, e ela falou:

- É um pouco constrangedor mas é uma situação cômica, daria uma ótima história no futuro.

No rádio uma música pop dos anos 90 me transportava para o passado, cantarolei baixinho o refrão, enquanto ela cantou a todo pulmão. Eu ri e cantamos juntas. Nossos olhos se cruzaram e ali naquele segundo, me senti em paz, segura, como se eu já a conhecesse há tempos e todo aquele clichê que vem junto.

Apesar do caminho que íamos fazer era curto, encontramos uma obra no caminho que nos deixou parada por meia hora na avenida. O taxista foi gentil e parou o taxímetro. Nesse tempo pudemos conversar um pouco mais.

Ela colocou a mão na minha coxa, dava para sentir a diferença da temperatura entre nos duas, senti o calor da pele dela irradiando pela minha perna. Engoli seco, coração acelerou - o que era isso que eu sentia?

- Quer ir numa festa comigo? É no apartamento de um amigo, bebidas, comidinhas, música boa. Vamos aproveitar esta sexta-feira? - falou ela sem tirar a mão de mim.

Eu não tinha o que perder, ia pra casa ver filme e dormir. Disse que só iria se rolasse música dos anos 90, ela riu e falou que ia providenciar.

No flashback da rádio agora tocava uma música lenta, para acalmar os ânimos - era o que eu inocentemente pensava. Depois de se aproximar de mim, ela sussurrou no meu ouvido:

- Essa música é boa para dormir abraçadinho, depois de ter transado muito. - falou subindo sua mão em direção da minha calcinha. Seus dedos passaram pela minha virilha e pousaram em cima do meu sexo. - Gosto assim quando está começando a ficar molhadinha.

Olhei para ela com minha respiração ofegante, não sabia o que dizer, aquilo estava muito bom, meus hormônios estavam batendo no teto, eu nunca tinha ficado com uma mulher, mas eu precisava experimentar aquela. Tudo estava nos conectando, a energia estava muito boa, a sexta estava chamando a gente para ficar juntas. Engoli em seco. Minha mão tocou a face dela, meus dedos roçaram seus lábios depois passearam até seu pescoço, nuca, a trouxe a mais perto de mim, até ficarmos a pouco centímetros.

Seus dedos me tocaram em cima da calcinha, me massagearam, círculos leves alterando com mais intensos, desceram aonde eu estava mais úmida e subiram, um movimento que ela repetiu algumas vezes. Mordi os lábios. Ela continuou me provocando, seus dedos voltaram para minha virilha, sentiram a renda da minha calcinha e foram tocando a minha pele até chegar nos meus pelos e no meu clitóris que gritava por ela. Gemi baixinho e me contorci, ela beijou meu pescoço e me deixava mais molhada. Eu segurava na porta querendo gritar, olhava para o espelho ver se o motorista estava de olho na cena, quando ele disse:

- Vou pegar um atalho para ir mais rápido.

- Gosto de mais rápido - falou ela acelerando o movimento.

O táxi parou no prédio dela que pagou com cartão e desceu; minhas pernas trêmulas quase me impossibilitaram de descer. Entramos pela portaria, ela pegou minha mão e me levou para um corredor escuro, passamos por aviso que dizia "playground fechado por motivos de obra", então me puxou e me colocou sentada num balanço de ferro. Tirou a blusa que usava e ajoelhou em cima de frente para mim, empurrou de leve o balanço e quando eu cheguei perto ela colocou a mão dentro da minha saia e tirou minha calcinha. Com uma vontade incrível, ela me abocanhou e sua língua passeou em mim. Seus dedos me tocaram de leve, depois penetraram em mim quando ela viu  que eu estava bem molhada. Sua língua fazia movimentos e tremores que nunca tinha sentido. Ela tirou a boca, a meia luz que estávamos, a vi lambendo os lábios e sorrindo. Com o dedo indicador e o médio enfiando forte e rápido dentro de mim, me segurava nas correntes do balanço. Sua língua grudou de novo no meu clitóris que já estava excitado, exposto, para fora, ela o chupava, e molhava bem. Passei minha perna pelo pescoço dela, que passou uma mão por trás e apertou minha bunda. Ela me estimulava de todos os jeitos. Senti um calor crescente vindo da minha buceta e me dominou inteira. Gozei e gemi alto em cima de um balanço infantil.

Ela sentou no gira-gira, agora era minha vez de fazê-la girar.

20 dezembro 2017

Voyeur

Era de noite, a rua estava deserta, desci correndo do ônibus, pois queria estar em casa mais rápido. Dobrei a esquina depois do ponto e cheguei na minha rua. Estava tudo apagado: prédios, casas, luminosos de comércios, tudo no escuro, sem luz. Coração acelerou, apertei o passo, ouvi alguém tossindo, me assustei. Porém vi que era na calçada oposta a minha, no primeiro andar do prédio em frente a minha casa. Da janela aberta do apartamento, só conseguia ver uma silhueta, vi um pedaço do seu corpo iluminado pelo o cigarro em sua mão. Quem era?

Fazia uns três meses que morava ali. Trabalhava de manhã, estudava a noite, não tive tempo de conhecer meus vizinhos. Entrei no meu sobrado em frente a cena, e tentei saber quem era o ser misterioso. Subi para o meu quarto e pela persiana tentei avistá-lo, porém já tinha ido. 

Na manhã seguinte ao sair de casa reparei novamente no apartamento, agora com a janela fechada. Cheguei, depois das 23 horas, antes de virar a esquina para minha rua, ouvi um pigarro, corri para ver se era a silhueta. Lá estava fumando no escuro, sentado no beiral da janela. Os dedos prendiam o vaga-lume de nicotina, a mão apoiada no joelho voava passeando pela coxa, peito e até chegar a boca que tragava e soltava a fumaça. Caminhei mais rápido, tranquei o portão de madeira de minha residência e corri para janela. No escuro do quarto observei pela persiana ele repetindo aquele gesto algumas vezes, do joelho até a boca até o vaga-lume se extinguir.

Fechei a persiana, fui dormir pensando na cena e no meu vizinho, estava feliz por ser sábado no dia seguinte e talvez ia poder acabar com esse mistério.

Acordei cedo, abri a janela - a dele estava fechada - fiz a cama, coloquei as roupas para lavar e nada de vê-lo. Almocei, lavei as louças, tomei banho e sai com minhas amigas. Voltei a noite, alegre e leve pelo vinho que bebi.

Subi para meu quarto e mesmo no escuro, fui tirar meu vestido, uma ação bem complicada de se fazer estando bêbada. As pernas bambearam, o zíper ficou preso nas costas e quase não passou pela cabeça quando eu o tirei.

Depois da cena lamentável comecei a notar na lingerie nova de renda que usava, azul marinho. O efeito do vinho surgia ali também me fazendo ver desenhos que talvez não existissem. A renda era linda, com costuras, revelos e traços bem feitos, e eu a tateava como um deficiente visual lendo braile. Sentia o bojo sustentando meu seio embaixo e a renda contornando por cima, meus dedos tentavam decifrar aquele mapa de linhas, curvas e nós. Minha mão subiu até a alça onde os desenhos eram mais simples, porém desci novamente, meus dedos queriam saber sobre os desenhos do busto.

Minha curiosidade desceu até minha calcinha, a renda debaixo seria igual? O mapa desceria até ali?

Uma faixa lisa azul percorria minha cintura, a renda ficava mais embaixo, meu dedos sentiriam a renda, seguiram o caminho e acharam o tesouro do mapa. Mordi os lábios. Estava ainda de pé, em frente a cômoda que joguei o vestido, em frente a minha janela aberta...

Coração parou, pernas bambearam.. Subi com tanta pressa para me livrar do vestido que esqueci a janela aberta... Meu quarto estava a meia luz, iluminado pelo poste da rua, a mesma luz que invadia o quarto dele. Há quanto tempo será que ele me observava? Em uma das mãos segurava seu cigarro, na outra, seu membro quase ereto.

Era uma noite linda, quente, o vinho ainda me agitava e meu corpo pedia por algo.

Sorri e continuei. Virei de costas para ele e comecei a dançar devagar, subia e descia com uma das mãos apoiadas na cômoda; a outra mão, tirou o cabelo das minhas costas para que ele pudesse me ver mais. Agachei e lentamente subi só meu bumbum, minha lombar e cabeça subiram depois.

Coloquei minhas mãos atrás e abri o fecho do sutiã - nessa hora nem ligava mais se ele estava assistindo ou não, estava fazendo para mim, queria me satisfazer. Meus seios estavam livres, cobri com as mãos, virei meu rosto para ver se meu vizinho ainda me olhava, sorri meu sorriso mais safado e o vi lá, me observando e se tocando. Virei e fiquei brincando com meu vouyer, enquanto eu mostrava um seio, cobria o outro, até mostrar os dois.

Do outro lado não conseguia ver muita coisa dele, mas o pouco que via, percebi  ele rindo, já havia largado o cigarro queimando sozinho no cinzeiro e estava focado em mim. Acho que ele não me via tanto também, mas a imaginação falava mais alto.

Minhas mãos puxavam meus cabelos, percorriam meu pescoço e voltavam para meus seios que apontavam para ele, apertava meus mamilos que já estavam duros e eu mordia os lábios. Elas circularam mais meus seios, contornaram minha cintura e pousaram na minha barriga. No quadril, brincaram com o elástico da minha calcinha e foram puxando mais para baixo.

Fiquei de costas de novo, era bom ficar seduzindo, brincando de esconde e esconde, ri alto e pisquei pra ele, ou para mim mesma, estava conhecendo meus limites e me divertindo. 

Rebolei um pouco e fui tirando a calcinha, baixando centímetro a centímetro, até ficar completamente nua, peguei a peça azul recém tirada e joguei no beiral da minha janela. Minha mãos podiam percorrer todo meu corpo nu, o vento soprava leve e eu me sentia inteira. Elas desceram da minha barriga até a virilha, brincaram alí, depois pularam para os grandes lábios, meus dedos aprovavam aquela carne volumosa, macia, e meus dedos passearam entre as coxas até chegar mais atrás, na bunda. Eles voltaram percorrendo os outros lábios, desfrutaram da lubrificação dali e deslizaram no clitóris. Uma corrente elétrica irradiou daquele pequeno pedaço escondido em mim pelo meu corpo inteiro. Estava pronta.

Abri a última gaveta da cômoda, e apoiei um pé, estava aberta, livre, acesa.

Meus dedos estavam na carne macia dos lábios da minha boca e desceram para os outros lábios, senti meu clitóris crescer, ele apontava para mim, então, brinquei com ele. Fiz movimentos circulares de leve, devagar, aumentei a pressão, depois com dois dedos brinquei de "ir e vir" e ia alternando nesses dois movimentos, aumentando a pressão e parando às vezes.

Meu dedo se perdeu dentro de mim, e eu me encontrei com ele. Era daquilo que eu precisava de um tempo só para mim.

Ele deslizava facilmente para dentro, entrava e saia bem do jeito que gostava. Introduzi outro dedo e foi bem mais gostoso. Enquanto uma mão introduzia, a outra massageava o clitóris, aquela combinação de movimentos me deixou com calor, suada e elétrica. Os dedos entravam mais rápido mais forte, assim como a massagem, que ganhou força e pressão.

Abri os olhos e o vi se tocando, ele estava de olhos fechados, mordendo os lábios e se satisfazendo. Aquilo me inspirou, aumentei mais a pressão, a velocidade, meu coração acelerou, não conseguia parar em pé, minhas costas se curvavam para a frente, porém eu não parava, queria chegar até o final, eu tava quase la, foi quando ouvi:

- Gostosa! - ele gritou do outro lado da janela.

Era o estímulo final que precisava, gozei ao ouvir aquilo, gemi alto e minhas pernas quase tombaram para a frente, me segurei na janela, ali consegui vê-lo melhor. Vi os momentos finais do prazer dele. Ele estava sentado com a mão dentro da cueca, brincando com seu pênis para cima e para baixo, até se contorcer na cadeira e relaxar o braço.

Sai da janela, fui dormir. Era o efeito do vinho ou ouvi alguém me aplaudindo?

Acordei de ressaca, dor de cabeça, vi meu quarto bagunçado, vestido jogado, gaveta e janela aberta. Foi real, ou apenas um sonho? Fui até a janela e vi minha calcinha no beiral, corri para tirar. Ouvi aplausos e vi meu vizinho na sala dele me brindando com café. Sorri envergonhada e fechei a janela.

Confesso que abri a janela algumas outras vezes para tomar um ar, ou para desfilar minha lingerie nova.


29 novembro 2017

Offline


Num mundo conectado, online, multimídia, faz falta algo ao vivo, frente a frente, offline, mas com ótima conexão. Uma conexão além do 4G, conectar olho no olho, pele na pele, voz no ouvido.

Entre smartphones, tablets, design digital, user experience, a experiência que queremos é mais carnal, humana, sem uso de VR, em uma realidade aumentada no dia a dia.

Esquece a hastag, esse qr code desatualizado e esse emoji, quero seu perfil de verdade na minha frente; cancela esse storie e me conta essa história ao vivo.

Deixa os aplicativos desatualizados e atualiza nosso bate-papo, nosso sentimento.

E quem sabe @, a gente se diverte nesse boomerang até acabar a bateria.

06 novembro 2017

Café

- Algo mais? - disse ele.

Ela acordou quando o copo quente de  isopor tocou em sua mão, se assustou ao pegar o café.

- Não obrigada.

Sentou de frente a lanchonete observando esse que a servira. Abriu um sachê de açúcar e despejou seu conteúdo na bebida, pegou uma colherzinha e mexeu devagar.

Ele era fisicamente do tipo que sempre a atraia: alto, branquelo, magrelo e cabelo um pouco comprido. Usava um avental amarelo, daqueles que dá um nó atrás para amarrar e uma touca da mesma cor para prender os cabelos. Era simpático com seus clientes e trabalhava com muita agilidade e alegria; a cada detalhe, o café ficava cada vez mais gostoso.

Aproximou o copo da boca, fechou os olhos e sentiu aquele aroma a dominando. Aquele sabor meio adocicado, meio amargo encontrou com a sua língua, desceu deliciosamente morno pela garganta até chegar ao estômago. Sorriu sentindo aquele calor se expandindo pelo corpo inteiro.

Pensou em como seria tomar um café com ele, seria mais doce ou mais amargo? Quente ou frio? Forte ou fraco?

Há alguns anos ela teria sido mais ousada investiria nele, chamaria para um café, porém naquele momento ela estava em paz, curtindo um café sozinha; foi egoísta e ficou com aquele sabor só para ela.

São fases, tem dias que queremos dividir o café com alguém, tem dias que é bom tomar sozinho, o sabor ficar mais forte, mais delicioso.

O rapaz continua ali servindo bebidas, quem sabe numa próxima xícara ela não esteja em outra fase e o chame para beber com ela.

31 outubro 2017

Replay

É um déjà-vu, um replay, um looping. Parece a mesma melodia, mesmo acorde, mesma música. Mais uma vez estou boquiaberta em frente ao palco vendo um rapaz tocar - certeza que vida passada eu fui uma partitura só para sofrer na mão de um músico.

Preciso descrevê-lo? Magrelo, estiloso, cara de bom moço, em cima do palco se divertindo com o que fazia, combinação perfeita para me deixar com as pernas bambas.

Um olhar intenso, um sorriso de menino e uma coragem de gigante, queria admirá-lo o show inteiro. Mas como num déjà-vu, num replay, não falei com ele, só observei de longe e me inspirei para escrever esta declaração. Fiquei morrendo de vontade,, mas agora nem Buscopan vai me fazer melhor.

07 setembro 2017

Pedido

Ele era magro por inteiro, menos no volume da cueca branca que se destacava: era grande e grosso.

Se conheciam há uns anos de um aplicativo de relacionamento, e comemoravam essa amizade se encontrando uma vez por ano só pra transar. A cada encontro trocavam longos diálogos, experiências passadas e carícias.

Naquela noite ela usava um vestido curto verde, com meias e botas pretas, e uma calcinha vermelha. Ele sabendo do gosto dela, para enlouquecê-la, colocou uma camisa social preta e seu jeans rasgado. Se encontraram na casa dele. Na cozinha pegou o saca-rolhas e abriu um vinho, e o som da rolha abrindo a garrafa, abriu também memórias antigas dela:

- Esse som me lembra a última vez que estive aqui. Estava no seu quarto quando você abriu a garrafa e desde então esse som me enlouquece, pois lembro da nossa última noite.

Ele serviu o vinho em duas taças, pegou a garrafa e foi para o quarto, com ela seguindo atrás.

- Vem abrir meu vestido! - falou ela de pé ao lado da cama, enquanto colocava as mãos no colchão arqueando as costas e deixando o quadril mais alto.

Ele chegou por trás, encoxando a garota e abriu o botão do vestido. Uma das mãos a agarrou pelos cabelos e a outra foi em direção da calcinha. Empurrou ela de leve para a cama, deixando-a de quatro e grudou seu quadril no dela, que agora se movimentava devagar, sentindo com a bunda um volume crescendo na calça dele. Ele puxou a calcinha pro canto e tocava a garota com o polegar, massageando suas partes em movimentos circulares, para cima e para baixo. Sentiu que ela relaxava e quanto mais ele a tocava, mais molhada ela ficava.

Parou. Segurando os seios dela, a ergueu e tirou seu vestido. Peito grudava nas costas dela. Com os corpos colados, ela aproveitou para tocar no membro duro dele, invadiu aquele jeans com uma das mãos e sentiu aquela pele pulsante na cueca. Tirou o volume para fora e o colocou na boca, chupou deixando bem molhado. Sua língua passeava pelo corpo até a cabeça, sugou aquela região enquanto suas mãos brincavam com as bolas dele. Colocou de novo o pênis na boca, ele arrumou os cabelos dela para o lado e segurou sua cabeça controlando os movimentos de vem e vai que ela fazia. A saliva escorria pela boca.

Deixou ela de quatro novamente, era a vez dele salivar. Sua língua se encontrou com os grandes lábios dela, e foi passeando por ali. As mãos dele subiam pela coxa até o bumbum, e enquanto a língua estimulava o clitóris, seu dedo se aprofundava da vagina, que se abria para ele.

Sentiu ela ficando mais relaxada, mais molhada, com a respiração mais ofegante. Ela contraia os músculos até os dedos do pé. Sentia uma energia corrente por todo seu corpo.

Ela empurrou a cabeça dele que entendeu o comando, ficou de joelhos e penetrou nela, escorregando, deslizando pausadamente até ela morder os lábios. Começou devagar aquela movimentação de ir e vim, até aumentar o ritmo e a cabeceira da cama bater na parede e suas bolas baterem na bunda dela. Pele com pele. Uma fricção, um fogo acendido por um fosforo.

Ela agarrava o lençol e gemia, ele a agarrava pelo quadril e pelos cabelos. Ela sentia suas pernas tremendo. Ele deu um tapa na bunda dela de surpresa que a fez soltar um gemido alto, que o fez rir, só voltou a ficar sério quando ela olhou para trás e pediu para ele fazer mais forte.

Ela arqueou as costas, deitando a face no colchão e arrebitando mais o quadril para ele, que enquanto a comia, com força começou a tocá-la de leve, ela se contorcia, gemia e sorria.

O suor escorria na pele de ambos, de repente o quarto virou uma sauna. Ele tirou a camisa, pausou o movimento para tirar a calça. Ela sorria esperando ele na pose anterior, quando ele se ajoelhou para penetrá-la novamente, ela falou:

- Coloca atrás, mas devagar.

Ele ficou boquiaberto com a frase e aceitou o pedido fazendo do jeito que ela queria. Agora foi mais pausadamente do que antes, ela se contorcia mais e gemia com mais facilidade, aquilo o excitava mais, vê-la daquele jeito o deixou morrendo de vontades. Colocou até onde pode e foi fazendo aquele movimento lento, indo e voltando até chegar numa velocidade mais alta. Sentia ela mais molhada, como nunca havia sentido antes, seus dedos escorregavam e ela gemeu alto até não aguentar mais e gozar. Desmaiou na cama, deixando ele com mais tesão e gozando depois, deitando em cima dela.

Ela sentia o coração dele bater rápido nas costas dela. A respiração deles ia voltando ao normal. Ela olhou para o lado e disse:

- E a gente nem bebeu o vinho!

26 abril 2017

Respirei

São Paulo. Janeiro quase noite.Verão que me matava, mesmo sem o Sol qualquer um suava na rua. A mudança de temperatura pegou todos os meteorologistas desprevenidos, o calor aumentou mais do que eles tinham previsto.

Voltava para casa depois de hora extra no trabalho. O ônibus como sempre estava cheio de pessoas e de mau humor. Minha calça jeans a cada segundo colava mais na perna. Calor, tempo quente e seco. Janelas estavam abertas, porém não entrava vento. Suava. Sentia minha boca seca, engolia mas não vinha saliva, mão tremia, olhos pesavam, pressão caindo, sentia medo, visão ficando escura.

Era a curva do ônibus, ou senti meu corpo tombando? Caí no corredor, ou foi apenas sonho?

Senti meu corpo sendo elevado, dois braços me ergueram do chão e me levantaram. Acho que ouvi vozes. Senti a mudança de temperatura quando me levaram para fora do ônibus.

Respirei.

O mau estar foi embora tão rápido quanto a pessoa que me ajudou, sumiu.

Minhas mãos não tremiam mais, o soro que estava em minha veia me trouxe estabilidade e uma consciência cheia de dúvidas. O que aconteceu? Que lugar era este, um hospital? Quem me ajudou e me trouxe até aqui?

Quase duas horas depois, melhorei, estava menos assustada e com a pressão normal. A enfermeira me aconselhou a ir embora de táxi, uber, algo que eu fizesse menos esforço. Ganhei um atestado para não ir ao trabalho no dia seguinte, então poderia descansar e deixar esse episódio ruim para lá. Antes de partir perguntei a ela quem me levou para aquele hospital, ela respondeu: "um rapaz branco, magro e com barba" - ótimo, só batia com a descrição de dez caras que estavam no mesmo ônibus que eu.

Cheguei em casa sem ter trocado uma palavra com o motorista, minha mente estava longe. Larguei minhas coisas no sofá e fui tomar um banho quente. A água morna escorrendo pela minha nuca me relaxava, porém não conseguia tirar toda aquela cena da cabeça. Sai do chuveiro e me encarei no espelho. Achei um roxo no meu cotovelo e uns arranhados no nariz, fora minha cara abatida.

Respirei.

Conversei com umas amigas por telefone sobre o ocorrido, e para cada uma tentava montar esse quebra-cabeça, repassando os fatos na mente para preencher aquele buraco na linha do tempo e encontrar a peça que faltava. Nada. Nenhuma nova lembrança. Decidi fazer um chá para tentar dormir. Enquanto a água fervia, filosofava tirando o curativo do meu braço, que protegia onde o soro havia sido aplicado. Puxei com força aquilo da minha pele e a aquela pequena dor foi a última que senti por meses.

Dormi.

Três semanas se passaram. Já estava recuperada daquele evento e melhor preparada: alimentação e hidratação em dia. Saí do trabalho mais tarde, não ligava, pois, era apaixonada pelo horário de verão. O calor como montanha-russa tinha seus altos e baixos, e aquela noite estava uma delícia.

Vi meu ônibus chegando no ponto, corri para a fila para não perdê-lo e no impulso desastrado da minha corrida, pisei no pé de um rapaz. Antes que eu pudesse me desculpar, ele se virou sorrindo:

- É bom saber que você está bem, moça! - falou o rapaz magro e de barba na minha frente.

Minha boca ficou aberta por uns segundos, engoli seco e tentei raciocinar. Eu reconhecia aquela voz, já tinha ouvido antes. Aqueles olhos castanhos também não me eram estranhos, sentia uma paz olhando para ele. Minhas pernas ficaram bambas, coração acelerado e boca ficando seca: era ele! Subi no ônibus atrás do rapaz juntando as moedas e as palavras para perguntar sobre aquele dia. Sentei ao lado dele e falei:

- Desculpas pelo pé e obrigada por aquele dia...

- Não fiz mais do que minha obrigação. Você pisou no meu pé aquele dia também, depois ficou branca e desmaiou, não deu nem tempo de ficar bravo. - ele falou rindo

- Pisei no seu pé aquele dia? - perguntei assustada confirmando como sou desastrada

- Você sempre pisa no pé direito, tá na hora de pisar no outro para não ficar com ciúmes...

Suspirei

25 abril 2017

Banner

O dia que minha bunda virou um banner, eu estava de pé com as costas arqueadas para baixo e com os cotovelos apoiados na mesa.

Minha bunda era a única de pé numa sala de sentados atentos às minhas "condições glutaneas". Era um banner, um outdoor pendurado no meio das pessoas.

Reinei absoluta por uns minutos até me tocar que a preferência nacional não era o foco do momento.

Sentei encabulada guardando a obra de arte - já que é minha chamo do que quiser - dos olhos dos demais, que se quer notaram o quadro exposto.

Tem artista que é bicho ruim, egoísta e acha que sua bunda arte é o centro do universo.

20 abril 2017

Pirata

As palavras sumiam quando ela mais precisava, ficava muda.

A foto que ela observava no Facebook a fazia embarcar em histórias dentro daquele olhar profundo.

Ele tinha cabelo escuro como a noite e comprido, um pouco abaixo da orelha. Seu bigode e barba eram bagunçados, um pouco falho, o que deixava o rapaz com um ar misterioso e descolado. Para finalizar, um brinco na orelha: era um pirata completo.

O pirata era um palestrante de um curso de redação publicitária, algo que ela já tinha formação, mas ficou curiosa com quais conteúdos podia aprender com ele:

   - Como enfrentar a deriva criativa?
   - Oceano do desespero sem ideias
   - Como atracar em uma ideia
   - Como persuadir sua tripulação
   - Qual onda criativa devo seguir?
   - Como sobreviver ao mar da inspiração


No meio da fantasia que criara imaginou estar num navio pirata, sem tripulação, apenas com ele, cruzando os mares. Durante a viagem ela descobria cada ponto interessante do corpo dele de acordo com o mapa do tesouro que possuía.

Iniciaram um jogo de contação de histórias, onde quem contasse mentira e outro descobrisse, teria que beber. Depois da segunda garrafa de rum, ela se aproximava do baú de tesouro, chegava mais perto da boca dele a cada pérola que ele dizia, e a enfeitiçava.

A história não tinha papagaio, perna de pau, ou invasão, era um pirata moderno num barco chique.

Na proa da embarcação olhava para o horizonte azul aonde seu comandante te levava. A lua cheia no céu refletia no mar e o vento soprava forte e gelado nos seus cabelos. O percurso seria curto, pois era um intensivo de final de semana, porém ela aproveitou cada momento da sua aula para tirar dúvidas e aproveitar melhor aquele tesouro.

A imaginação acabou afundando no momento que ela viu as vagas do curso esgotadas. Seu pirata partiu levando seu tesouro e o coração dela.



Trupe Chá de Boldo - Pirata

"Você, invadiu meu rádio aparelho vagabundo
Em sintonia o dia inteiro na mesma estação
Bandida
Assaltou minha ilha tranquila
Expulsou os corsários da minha ilharga
Com navalhas e canhões
Libertou da prisão meu coração pirata
Me atirou à sorte incerta das correntes
À navegação que fez da minha tristeza
Um náufrago"


ouvir: Trupe Chá de Boldo - Pirata

02 abril 2017

Fumaça

Meu rosto está colado no teu peito pouco cabeludo, minha cabeça se movimenta de acordo com sua respiração, descendo e subindo. Escuto seu coração acelerado e percebo que está no mesmo ritmo que o meu.

Minha mão desliza pelo outro lado qual não estou apoiada. Do pescoço te aliso até o umbigo e brinco nesse percurso diversas vezes até decorar cada pedaço do seu abdômen.

Sinto nossas peles se tocando. Minha coxa cruza sua perna e te encaixa em mim, sua coxa quente suada gruda na minha fria. Nossos pés também se tocam de leve, se sentem.

Vejo a fumaça dançando pelo quarto a meia luz. Bem de perto reparo no movimento da sua boca durante o trago, na pressão que seus lábios fazem no cigarro, e como eles ficam menos tensos quando você expele esse ar fedido. Eu sempre odiei esse cheiro, mas quando você o solta não me importo; a gente até brinca de descobrir desenho no ar.

A fumaça dança livre e solta pelo quarto em cima da cama, como eu estava ontem a noite no seu colchão. Dançava para você me fotografar, filmar, gravar meus detalhes até me convencer a posar nua para você.

Arranquei meio sem jeito meu tênis e meia, fiz um charme tirando a calça e virando de costas para você ver o detalhe de renda da minha calcinha. A camiseta branca e o sutiã voaram na sua direção enquanto eu ficava nua no meio do teu quarto.

Baguncei toda sua mesa perfeitamente detalhadamente arrumada, jogando tudo no chão e sentando em cima. Estava nua na sua mesa e olhando para você. Coloquei as pernas cruzadas pra cima ao meu lado e inclinei o corpo quase deitando, ficando apoiada pelo cotovelo, e a com a mão na cabeça. Te sorri e disse para começar.

Você tirou da mochila seu caderno e estojo. Escolheu o melhor lápis e pegou a borracha. Aumentou a música que tocava no seu notebook, puxou a cadeira que estava ali perto e sentou na minha frente. Me observou, mediu cada centímetro do meu corpo - e esse olhar ainda me causa arrepios- e começou a me desenhar.

Você tensionava os lábios,mordia o inferior quando se concentrava; seu pé direito balançava de acordo com a música - te sentia inquieto, via seus ombros tensionados assim como o movimento do seu braço.

Quatro músicas já tinham sido nossa trilha sonora, fazia mais de vinte minutos que eu estava naquela pose. Meu braço já estava formigando, minha musculatura tremia, não aguentava mais. Por cima do caderno você me olhou e deu seu sorriso mais safado dizendo para esperar mais um pouco.

- Acabei! - você falou entusiasmado levantando da cadeira.

Desabei para trás deitando as costas na madeira fria. Meu braço e pescoço doíam. Estava dolorida, mas super curiosa. Queria ver o desenho. Você o trouxe até mim e eu fiquei boquiaberta, quase sem reação. Estava lindo, perfeito! Minhas marcas de expressão, meu sorriso torto, até a pintinha da minha barriga foram retratados com muita fidelidade.

Ao me lado você começou a massagear meu braço e ombro dolorido, enquanto eu ainda admirava o desenho. Os carinhos da sua mão se transformaram em beijos e fui beijada do pescoço até a ponta dos dedos. Tu pegou o desenho, colocou na cadeira e me ajudou a levantar, me conduziu até a cama e me deitou. Agora fazia massagens e dava beijos no outro braço. Posicionou seu corpo em cima do meu e nossas bocas se encontraram como seu lápis no papel, forte e cheio de movimentos. Suas mãos me tocavam como se estivesse fazendo rabiscos com os dedos, seus traços eram leves no começo, depois foram ficando mais fortes, saindo do rabisco para a arte final.

Nossa obra ficou espalhada pelo quarto; roupas, lençóis, cadernos e lápis estavam perdidos no meio da nossa bagunça criativa. A arte me consumia, fiquei sem ar com o coração acelerado e pernas tremulas. Te abracei, deitei no teu peito, você esticou o braço e acendeu um cigarro. Reparei na fumaça que subia. Fumaça essa que dançava livre e solta pelo seu quarto, igual a mim ontem a noite...




24 março 2017

Lição

Então depois de alguns anos voltei a estudar. Precisei me adaptar com as aulas, tarefas para fazer e trabalhos em grupo, sem contar o novo horário e a rotina diferente.

O centro universitário enorme: dois blocos de dois andares e diversas salas de aula, desde as convencionais até os laboratórios de informática e os ateliês de moda.

Estudo a noite e semana passada cheguei mais cedo; fiquei na pracinha perto do prédio um, ao lado do lago das carpas. Sentei em um dos bancos de madeira para admirar o ambiente e esperar minha aula. Já era outono e o vento gelado cortava a pele. Ouvia música no fone escrevia algo sobre a matéria que teria a seguir... E de repente meu fone ficou mudo, minha caneta sem tinta e o vento sem forças: você passou.

Como em um déjà-vu te vi novamente na minha frente e minha reação foi a mesma. Fui imediatamente atraída por sua pessoa, coração acelerou e senti minha face ficando vermelha.

Você passou com sua calça jeans clara, uma camisa azul xadrez e cabelos negros e longos presos em um coque. Como uma miragem você virou em um corredor e sumiu. Na loucura do impulso levantei como a mochila e as coisas na mão, mas sentei em seguida pensando: o que falaria se eu fosse atrás de você?

Lembro que faz umas três semanas que te vi pela primeira vez, no mesmo vagão que eu. Seu estilo cabeludo e magrelo me encantou, meu olhar logo pousou em ti. Ao seu lado havia uma moça, porém não sabia se era amiga, ou algo mais. Alucinada com sua presença, fingi tirar uma foto da linha do trem só para ter você como plano de fundo, e compartilhar com minha amiga que possui o mesmo gosto que eu. No exato momento da foto você olhou para mim, e hoje eu tenho seu retrato salvo comigo. Talvez seja por isso, que esses dias na universidade te reconheci: por conta da pintinha que você tem na bochecha perto do olho. Essa pintinha magnética que me faz querer te olhar mais e me atraí até você.

Na minha segunda semana na nova faculdade já tive minha primeira lição: precisamos estar preparada para as peças do destino e estar com a matéria na ponta da língua.

19 março 2017

Nego


Era a segunda vez que visitava aquela cidade, a primeira nem conta, pois era Carnaval e é tudo muito cheio, poluído, não dá para ver os detalhes, as cores e pessoas.

Na pracinha do centro, ouvi um grupo tocando percussão, ritmos típicos da região. Cheguei mais perto e vi que era uma oficina, uma aula para quem quisesse aprender a tocar algum instrumento, conhecer novos ritmos - algo que sempre quis.

Era aula de Maracatu e me deram um "abê" para tocar - aquela cabaça seca envolta por uma rede de contas. Sentia o peso do instrumento nas mãos, a temperatura, as contas passando pelos meus dedos, e o som que fazia a cada movimento que eu dava, era incrível.

As crianças e turistas que ali estavam, tocavam e se divertiam com a nossa banda improvisada. Eram sorrisos, gargalhadas e passos de danças. Era tudo muito leve, solto, sem preocupação, sem vergonha. Era contagiante! O calor da cidade vinha das pessoas também.

Alguns minutos depois chegaram uns três, quatro rapazes para tocar com a gente. Um deles ficou ao meu lado e me ensinou um jeito melhor de pegar no abê, para sair um som mais limpo.

Minha pele branca contrastava com a dele, um pouco mais escura. As tatuagens dele fizeram meus olhos analisarem ele como um raio-x, reparando nos detalhe. Era alto, magro, com uma carinha de mau caráter, estilo marginal - aquele estilo que a gente se atraí, mas fica com medo.

A aula durou mais ou menos uma hora e teria uma outra sessão no dia seguinte. Peguei o contato deles e decidi voltar depois para uma segunda dose.

Antes de sair, o rapaz com sotaque delicioso que estava meu lado, perguntou meu nome, de onde eu era, se já conhecia a cidade. Me apresentei e disse que conhecia bem pouco, e estava precisando de um guia para conhecer melhor. Ele se ofereceu para mostrar a cidade do ponto de vista dele, eu aceitei.

Subimos, descemos e viramos ladeiras do centro histórico de Olinda. Lá no alto dava para ver a praça, onde nos conhecemos, a igreja central, a cidade e o horizonte coberto de mar. Ficamos ali contemplando a paisagem, os detalhes. Vendo o sol se despedindo, sentindo uma paz me dominando.

A paisagem era linda. O sol ia embora, mas mesmo assim ele ainda queimava a pele e a alma, me aquecia e eu sentia um calor diferentes. Descemos a ladeira e ele me guiava pelos labirintos e ruas de casinhas coloridas, janelas baixas que davam quase para as ruas de paralelepípedos. Tropecei em um deles e ele me segurou para que não caísse. Aquele abraço durou um segundo para quem estava de fora, e uma eternidade para quem sentia sua pele tocada.

Ele segurou na minha mão depois do acidente, e foi mais fácil me guiar e ajudar - até que ele não era tão marginal assim. Me levou até um centro cultural que dava aula de dança e aprendi: coco maracatu, cavalo marinho - ele não saiu do meu lado e me dizia "faz assim nega", me ensinando o passo.

Dancei de tarde até à noite com ele. Depois da aula, sentamos na calçada e trocamos histórias, confissões e até algumas carícias. O sol já havia dado lugar a lua, mas o calor em mim, permanecia. A timidez deu lugar a um coração acelerado, a pele arrepiada, a troca de olhares mais profundos.

A lua brilhava no céu e eu sorria para ele. Ria quando ele cantava, falava que era perigoso por conta lua, que era para eu ter cuidado, em um misto de vampiro e lobisomem, beijou e mordeu meu pescoço.

Andamos até a praia. Meu guia me contava as travessuras que ele aprontou por cada ponto que passávamos. Sentamos na areia, perto do mar. Eu tinha ido poucas vezes para a praia a noite, ele disse que relaxava naquele momento, que se inspirava e meditava por ali.

Meu coração acelerado, acalmou. As ondas iam e vinham numa coreografia a parte. Eu parei, fechei os olhos e ouvia o barulho do mar. Ele pegou nas minhas mãos e imitava o movimento do abê de acordo com as ondas, era como se eu controlasse tudo aquilo - me senti tão poderosa, tão parte da natureza, algo que nunca tinha sentido antes.

Quase onze horas, meu celular tocou e eu como a Cinderela, precisei sair e voltar correndo para o hotel, resolver uns problemas. Precisava voltar imediatamente para São Paulo, então ele passou seu número e anotei no meu telefone. Deixei minha aula e ele para trás, mas prometi entrar em contato quando chegasse.

No meio da corrida e da confusão de arrumar as malas e sair correndo para aeroporto, perdi meu celular onde havia contato dele.

Procure por ele nas redes sociais, mas só com apelido que eu tinha era difícil. Busquei na oficina de música, de dança e nada.

Terminei meu relato, meu pedido de ajuda. Publiquei no Facebook na esperança que um dia ele pudesse ler.

Eu espero não tenho pressa, ele me ensinou a ter calma. Só olhar o mar, as ondas me acalmam, me fazem lembrar dele.

Um dia nego, eu volto para Olinda para me perder nas ladeiras e nos seus braços.



15 fevereiro 2017

Moça

Verão, a estação que ele mais gostava. Férias, o período que tanto desejava.

Pegou seu carro sexta a noite e desceu até o litoral. Acostumou-se a fazer aquele caminho acompanhado da família desde que tinha 8 anos. Hoje estava só, os pais estavam cansados e não quiseram ir, então foi curtir suas férias, seus dias de descanso sozinho.

Eram umas 19h quando chegou na baixada. Descarregou o carro, viu se estava tudo bem na casa, pegou umas coisas e saiu para a praia. Colocou sua bermuda preta e cinza, uma camiseta, toalha, garrafa de água e amarrou sua prancha - companheira de anos, no carro e partiu.

O caminho da casa até o mar devia dar uns quinze minutos, mas se sentia um pré adolescente, a praia não chegava nunca e o coração acelerava a cada metro. Ansiava por aquilo, era praticamente um caiçara, a água salgada corria nas veias; precisava fazer aquele ritual de conexão com a natureza, mergulhar de cabeça para o ano começar de vez.

Mesmo a noite o calor ainda dominava. Na areia analisou o mar, via poucas pessoas por ali. Uns perdidos corriam no calçadão para ir embora, outros limpavam a areia da roupa e partiam, todos saindo, menos ela. Ela chegou caminhando hipnotizada pelo mar, pisava na areia como se flutuasse, mesmo parecendo ter o peso do mundo nas costas, andava devagar, focada no mar a sua frente. Sentou e afundou o corpo na areia fofa. Ele a observava enquanto passava parafina na prancha - será que algo aconteceu com ela?

Largou suas coisas ali num cantinho e correu em direção ao mar. Precisava ir com tudo, assim não sentiria se a água estivesse gelada, porém com um dia de calor como aquele, a temperatura estava uma delícia, morna. Depois de um mergulho, subiu de volta a superfície, respirou fundo e pensou: o trânsito até ali tinha valido a pena. Agarrou a prancha com um braço e com o outro começou a nadar até um local em que pudesse esperar uma onda. O mar estava bom, tinha apenas que esperar o momento perfeito. Sentou na prancha: era agora! Deu meia volta batendo os pés na água e nadou um pouco, esperou e conseguiu pegar sua primeira onda da temporada.

Pegou umas outras, perdeu algumas, levou um caldo, em resumo foi uma ótima noite para abrir o verão do surfista,

Agarrou sua companheira embaixo do braço e foi caminhando até a areia. Sentiu todos os milhares de grãos de areia grudando e machucando seu pé. Fincou a prancha num montinho de areia, tirou a camiseta encharcada e colocou na ponta da mesma. Pegou uma toalha e tirou o excesso de água do corpo e do cabelo. A moça havia olhado para ele algumas vezes, então puxo assunto:

- Vai entrar? - perguntou o rapaz se aproximando.

- Não! Deve estar gelada...

- Tá nada! Está quentinha, calmo e tem poucas pessoas.

- Eu não sei nadar... Nem no quente, nem no frio... Gosto de sentar na areia, observar as pessoas e o lugar.

- Você analisa as pessoas então?
- perguntou o rapaz desconfiado, lembrando dos olhares dela de antes.

- Gosto de olhar - respondeu a moça - Reparar nos detalhes, na postura, no gestos, na paisagem, em tudo. É a primeira vez que venho nesta praia, então quero guardar tudo.

- Então vem comigo que vou te levar num lugar para você curtir mais a paisagem
.
Ela era tímida, reservada, mas ainda sentia que algo a incomodava, por isso decidiu levá-la no seu canto preferido da praia, para que ela pudesse relaxar e observar a paisagem. Andaram pela areia branca e fofa, depois a beira mar, na areia mais dura. A garota usava uma regata branca com um biquíni rosa por baixo, um mini shorts de algum tecido preto maleável; estava com um mochila pequena e com as sandálias na mão. Ele andava ao lado com sua prancha e as outras coisas que trazia; ele reparava que ela perdia um pouco da conversa enquanto encarava a prancha - até pensou em deixá-la segurar um pouco.

Apesar da noite a lua cheia iluminava o caminho deles, as estrelas no céu anunciavam que no dia seguinte faria mais calor - essa foi a teoria que ele disse que o avô contava, sempre acreditava, sempre deu certo. O caminho de onde estavam na areia até o topo das pedras devia dar uns vinte minutos, que foi recheado por histórias dele e da família. Como no dia que ele resolveu ir só de bermuda para o mar sem nada por baixo, a onda veio e deixou a vergonha dele para fora e seus 12 anos nunca mais foram os mesmos, nunca esqueceu da cena, nem da bronca da mãe.

Chegaram nas pedras que dividiam as praias. Ofereceu ajuda a garota que aceitou - a mão dela estava gelada, seria normal, ou estava com medo dele? Foram subindo passo por passo, pedra por pedra, história por história. O sorriso dela surgia a toda aventura que o jovem contava, sentia-se cada vez mais segura quando dava a mão para ele ajudá-la.

- Cuidado que aqui é um pouco escorregadio, já até cai ali, e fiquei com cicatriz no joelho, mas eu te ajudo. Vem! - disse o rapaz estendendo a mão.

Sentaram na pedra mais alta e puderam ver todas as praias. Viam o horizonte azul do mar se mesclando com o negro da noite. Atrás deles, o calçadão com alguns ciclistas, prédios iluminados e quiosques fechados. E lá de cima um silêncio, uma paz, algo estranho que ele não conseguia entender, parecia que conhecia aquela moça há tempos.

Colocou a mão sobre o ombro dela que a fez pular de susto saindo do transe em que se encontrava. Ele riu e pediu desculpas, e nesse momento, os olhos castanhos dele se encontraram com os dela. A mão saiu do ombro e foi descendo até as costas causando um arrepio por onde passavam, vértebra por vértebra, centímetro por centímetro, até chegar na cintura, onde ele pousou a mão quente. Puxou a garota mais para perto e o sentimento pré adolescente voltou junto com coração acelerado.

Os lábios se encontraram como o mar raso em destino a areia, leve, tranquilo e não muito molhado. O beijo evoluía como as ondas, ia crescendo, ficando forte, envolvente até se tornar um oceano de profundidade e entrega. Ali não dava mais pé para eles nadarem.

O rapaz ficou de pé e ajudou a moça a fazer o mesmo. Desceram o morro pelo lado oposto do que vieram. Chegaram na outra praia deserta e escura. Permaneceram perto das pedras onde nem a luz da lua incomodava. Ele deitou a prancha no chão, tirou a camiseta que havia colocado depois de secar o corpo, e deitou em cima da mesma. Deu a mão para a moça e ajudou ela a deitar em cima da roupa dele.

Ele se ajoelhou ao lado e começou a fazer massagem na moça. Começou no rosto, tocando a pele com a ponta dos dedos, ela enlouqueceu quando ele passou os dedos em seu lábio lhe causando choque. As mãos desceram pelo pescoço, alisaram os ombros e caíram nos seios. O rapaz não tinha pressa, sabia o que fazia e ia devagar conquistando e dominando cada pedaço do corpo dela. Os dedos percorreram a barriga, dançaram no umbigo e fizeram festa no elástico do shorts; um engraçadinho se perdia e acabava encostando na parte debaixo do biquíni.

Ela ria de nervoso, de feliz, mas os dedos não pararam. Passaram a virilha, deslizaram na coxa, atravessaram o joelho, caminharam no final da perna até chegar nos pés. Eles receberam um tratamento especial e uma massagem mais relaxante, com toques delicados e até uns apertões um pouco mais forte.

Terminado o trabalho ali embaixo, ele resolveu subir de forma diferente e ao invés de tocá-la com a ponta dos dedos, foi beijando cada centímetro dela, daquele percurso que já conhecia.

Seus lábios caminharam pela perna, atravessaram o joelho, deslizaram felizes pela coxa e fizeram uma pausa estratégica na virilha que fez a moça se contorcer na prancha enquanto ele alternava os lábios com sua língua.

Língua essa que também brincou com o elástico do shorts embaixo do umbigo dela.

A barriga foi beijada, mordida e lambida, assim como os seios. Chegando no pescoço, o rapaz subiu seu corpo magro e cheiro de areia em cima da moça. Os lábios se encontraram novamente, as ondas ressurgiram, mas desta vez tinham espaço para nadar e ser livre.

Ela escorregou para fora da prancha, deitando na areia, o corpo em cima dela fez o mesmo. Os lábios não se desconectaram. As mãos da garota se engancharam no cabelo cacheado dele, depois se perderam em suas costas largas e lisas. Seus dedos deslizaram pela espinha até chegar no shorts preto e azul. Ela não resistiu e deu um belo apertão na bunda do garoto.

Não era só o beijo que continuava numa crescente, ela sentia outras coisas também.

As mãos dele coladas na cintura da moça foram subindo e levando a blusa branca dela junto. No segundo seguinte o nó do biquíni era desfeito e pele suada deles se grudaram mais.

Ela voltou a beslicar a bunda do rapaz e aproveitou para tirar a bermuda - ele não aprendia, tinha ido sem cueca de novo. Ela caiu na gargalhada ao lembrar da história dele, que comentou que desta vez não estava passando vergonha.

Ele beijou novamente os seios sem biquíni dá moça, agora nada mais o atrapalhava, desceu até a barriga para tirar o shorts dela. O biquíni? Ele não tirou, só empurrou para o lado.

Os corpos voltaram a se grudar, a se espalhar e num movimento quase coreografado se uniram, se conectaram. Ele se inspirava e se movimentava como as ondas e ia e vinha em cima do corpo dela, às vezes mais devagar, às vezes mais forte.
A luz da lua não os encontrava, a sombra da pedra os protegia. A brisa refrescava o casal que era embalado pelo som do mar.

A moça não estava mais gelada, estava quente e suada. Suas unhas arranhavam as costas dele, ela mordia os lábios e se deixava perder naquelas sensações. Sentia um oceano dentro de si, ondas de calor se espalharam pelo seu corpo começando no ventre. A cada movimento dele, as ondas aumentavam até dominar o corpo todo e ela não aguentar mais e se contorcer de prazer.

O sorriso satisfeito no rosto dele a encantou, ele estava feliz por fazê-la conhecer a fundo aquela praia e todo o resto.

O oceano dentro dele se agitou, as ondas aumentaram também, iam e vinham, quebravam forte na praia, até explodirem nas pedras e ele deitar satisfeito sob o corpo dela.

O casal permaneceu ali deitados, suados com areia colada no corpo e com um sorriso enorme no rosto. A ciência explica, lua cheia é sinal de maré alta e sentimentos incontroláveis.

07 fevereiro 2017

Surfista

Sábado a noite estava sentada na areia da praia do Guarujá. Lua cheia no céu iluminava a paisagem, o som do mar indo e vindo como ioiô completava o que via. Ela foi transportada para outro lugar. Era daquilo que precisava, de paz, para recarregar a energia. Sentia que pertencia ali. Sentia seu corpo afundando cada vez mais na areia enquanto relaxava.

Algumas pessoas ainda estavam na praia, umas andavam na areia, outras nadavam - depois do calor feito aquele dia, a água parecia estar bem quentinha. No meio do mar, viu um rapaz surfando - maluco.

Ele saiu da água segurando sua prancha e foi em direção a uma toalha e outras coisas que estavam ali perto. Usava uma bermuda azul com detalhes em cinza e uma camiseta preta que foi tirada ao chegar na areia. Era alto, magrelo, sarado e mais tarde perceberia que o cabelo molhado daria espaço para cachinhos.

Fincou a prancha de pé num montinho de areia, pegou uma toalha, se secou e sorriu para a moça que o observava.

- Vai entrar? - perguntou o rapaz se aproximando.

- Não! Deve estar gelada...

- Tá nada! Está quentinha, calmo e tem poucas pessoas.

- Eu não sei nadar... Nem no quente, nem no frio... Gosto de sentar na areia, observar as pessoas e o lugar.

- Você analisa as pessoas então? - perguntou o rapaz desconfiado.

- Gosto de olhar - respondeu a moça - Reparar nos detalhes, na postura, no gestos, na paisagem, em tudo. É a primeira vez que venho nesta praia, então quero guardar tudo.

- Então vem comigo que vou te levar num lugar para você curtir mais a paisagem.

Ela ficou um pouco desconfiada, mas topou mesmo assim. Precisava tirar mil coisas da cabeça, uma conversa seria bem vinda para se distrair. Ele parecia ser mais novo que ela, tinha cara de bom moço, às vezes nosso sexto sentido acerta. Foi com ele, mas com um pouco de receio.

 Andaram pela areia branca e fofa da praia. Caminharam a beira mar; ela já descalça segurando sua bolsa e sandália nas mãos. Ele andava ao lado com sua prancha. Ela nunca esteve perto de uma, sabia que era grande, mas não imaginava que era tanto, e às vezes perdia o que o rapaz falava de tanto observar a mesma.

Observava também as costas largas do surfista, seriam anos de natação? Seu trapézio era bem definido assim como seu peito, era sarado, algo natural, não estilo monstro de academia. Tinha os braços largos, como seria ganhar um abraço dele?

Depois de uns 20 minutos conversando, chegaram no limite da praia onde estavam, as pedras os separavam da praia vizinha. 

- Cuidado que é um pouco escorregadio, mas eu te ajudo. - disse o rapaz estendendo a mão.

Subiram com calma, devagar, passo por passo, pedra por pedra até chegarem no topo do morro. Lá do alto tinham a vista de toda a praia, do horizonte azul do mar calmo e do negro da noite. Atrás deles, o calçadão com alguns ciclistas, prédios iluminados e quiosques fechados.

Lá de cima o rapaz disse que subia ali desde os 8 anos, que o pai incentivava e a mãe surtava. A família tem casa por ali, todo ano descem para o litoral e tiram uma foto dele em cima das pedras, esse tipo de coisa para dar orgulho para avó, ver quanto o neto cresceu. Ela ria ouvindo as aventuras que ele contava sobre cada pedaço daquela praia, e cada novo causo, ela relaxava mais e confiava nele.

Era noite, ainda fazia calor, porém a brisa dava um refresco. Ela fechou os olhos respirou fundo e sentiu aquilo que precisava: paz. Permaneceu em silêncio por alguns segundos e só abriu os olhos, quando ouviu:

- Eu também analiso as pessoas, e percebi que era isso que você precisava desde o momento que sentou na areia, antes de pegar minha primeira onda. - falando isso ele colocou a mão no ombro dela e começou uma massagem.

As mãos quentes e fortes dele tiraram toda tensão que ela carregava nas costas. Como ele sabia?

- Você precisa mesmo de uma massagem, e completa. Está muito tensa... Vem comigo!

Desceram as pedras pelo outro lado, para a outra praia mais escura e deserta. Ele foi na frente, e ela apoiava no ombro dele enquanto descia. Ficaram ali no cantinho, próximo as pedras, escondidos até da luz do luar.

Ele colocou a prancha no chão e pediu que ela deitasse de bruços em cima da mesma.

Começou massageando a cabeça dela bem topo com a ponta dos dedos, foi descendo até a nuca tocando espinha com os polegares, enquanto os outros dedos circulavam o pescoço descendo um pouco até o colo. O nó do biquíni dela atrapalhava, mas ele desviava os dedos. Com a palma da mão apertava as omoplatas, as pontas dos dedos agora percorriam a espinha inteira descendo e subindo. Massageou as costas devagar, desceu até a cintura causando um arrepio de leve. As mãos próximas ao cóccix foram descendo, passando pela prancha, para perto de umbigo, ele pressionou a barriga e a levantou, a transportando para longe dali. 

Ele estava sentado ao lado da moça, cruzou uma perna por cima e ficou entre as pernas dela.

As mãos desceram pelo culote e apalparam a parte interna da coxa, adentraram por dentro do mini shorts que usava. O toque quente dele fez a pele da moça ferver.

Os dedos dele entraram por baixo do shorts, um por um foram entrando até chegar ao bumbum. Ele massageava e apertava, os polegares foram descendo o topo daquele morro e chegaram no lugar mais úmido do corpo dela.

Como uma onda do mar, sentiu dentro dela um calor indo e vindo. O calor era crescente, aumentava a cada segundo. Os dedos escorregaram mais para dentro e ela se contorceu de prazer, mordendo os lábios deitada na prancha. Agarrada a areia, ela pediu que ele fosse mais forte, mais rápido e com aquilo fez uma onda de calor estourar nas pedras e na prancha, que a fez escorregar no liso e deitar na areia.

- Relaxou? - perguntou o menino.

Ela se virou sorrindo, balançou a cabeça dizendo que sim.